Bacharel de Direito, estudante de Teologia, pós graduanda de Direito, escritora, empresária e blogueira. Quase mulher, quase gente, quase anjo, quase santa. Apaixonada por nuvens e mar. Nem muito doce e nem tanto amarga. Feita de carne, osso, pele, cor e poema.

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28 de julho de 2015

Itabuna e eu

Era manhã de 13 de julho de 88 quando abri os olhos pela primeira vez no Hospital Manoel Novaes, neste dia a chuva molhou o cacau e o cheiro de barro subiu. Nasci no auge da riqueza sul baiana, onde estávamos no segundo lugar em produção do país, entre coronelismo e jagunços disfarçados, mal sabiam que no ano seguinte a vassoura-de-bruxa surgiria para devastar o império e o poder de muitos.

As muitas águas rolaram por baixo da ponte e carregaram lentamente a ilha do jegue a cada gota de desprezo derramada, a cada crise econômica, e em cada desgoverno assumido. Apesar de tudo, diversos investimentos acoplaram ao longo dos anos, transformando-a num polo médico, industrial, educacional e cultural.

Mãe de tantos, acolhendo e sendo desamparada. Destacada pela insegurança e abandono. Que por anos vive entre a UTI e o leito da Santa Casa de Misericórdia. A cada mandato, renovação de promessas, para no ano seguinte ser arrastada como as correntezas da enchente de 1967.

Jorge afirmava ser o cú do mundo, se referindo a Ferradas, local onde nasceu. Apesar da ridícula colocação foi daqui que saiu um escritor renomado internacionalmente, atraindo timidamente curiosos e pesquisadores, mas não para Itabuna e sim para Ilhéus. Jorge apesar de morto deixou uma vasta biblioteca a ser contemplada. Outros célebres como Jackson Costa nas telinhas, Perivaldo e Alan Bahia com a bola no pé, Carlos Santal com suas obras, Alinne Rosa no vocal. Terra de Orlando Cardoso e Cacá Ferreira, de Lordão e Vera Cruz, Do Katikero e Galo Vermelho, da irreverência do Caboclo Alencar e suas batidas, tudo fruto nosso, como um patrimônio indivisível, regados a muito cacau e dendê para ter sustância no mundo afora. E nossa Itabuna, se mantém revelando gente do bem em meio a uma vastidão de criminalidade, carrega o medo de uma viúva e a sem vergonhice de uma jovem, tudo em uma. Completas.

Nascida em 13 de julho, carregando a bagagem do curioso desde o abrir de olhos e a coragem saltando pelas mãos e pés mesmo que no primeiro choro. Destemida, porém assentada com alicerces profundos busco voos distantes retornando sempre ao berço. Saudando o Cachoeira e jogando panos frios no sangue quente que escorre nas madrugadas. E, talvez, vendo sóis onde não existe, assumo a identidade junto com a cultura misturada de arte e poesia, mitos e bizarrices. A evidência é ambiciosa, mas nunca ao reverso.


Juliana Soledade é graduanda de Direito e Teologia, pós graduanda de direito processual civil e prática trabalhista, escritora, empresária e blogueira.

15 de setembro de 2014

Lançamento do Livro 'Despedidas de Mim' em Curitiba

Em parceria com a Livraria Curitiba, realizei o lançamento no parkShopping Barigui. Em uma terra notavelmente muito fria me apoderei da possibilidade de reunir pessoas maravilhosas para um bate-papo e sessão de autógrafo extremamente quente e contagiante.

A cada momento que apresento o meu trabalho, forma de criação, desenvolvimento, e finalização, sou presenteada por boas sensações e lembranças surpreendentes. Em Curitiba tive a oportunidade de mostrar a ‘menina que escreve’, aquela que por vezes se esconde em letras miúdas, a ‘menina’ que vive pelo mundo afora como se fosse seu e o carinho foi demonstrado pelos presentes da forma mais humana possível.
A recepção ofertada pelo vendedor Carlos, o funcionário Gerson, o gerente Júlio e toda a organização da equipe da Livraria me trouxe uma segurança enorme para que esse lançamento fosse um sucesso, e de fato foi, inesquecível.

As fotos são de Flávia Antunes e a Maquiagem é da talentosíssima Gaby Mozer. 









































17 de fevereiro de 2014

Em tempos de guerra



"E quando eu peço proteção
Não é pra fugir do ladrão
Nem pra me esconder na igreja
Eu quero é que deus nos proteja"


Confortavelmente e protegida em meu leito, mas nas ruas uma guerra fria, com sangue, fogo e selvageria. Me parece que estamos tão magoado ou envoltos de uma fúria interna tão agigantada que não nos basta apenas lamentar-se com os amigos nas redes sociais, ou protocolar uma reclamação nos órgãos responsáveis. A realidade agora se encaixa em definições terroristas.

Em um raio de 50 km, somos alvos das piores mazelas, castigados diariamente com surpreendentes noticias de fins trágicos e mínimas divulgações positivas sobre o bem comum (se é que conseguimos pensar nisso).

A implacável batalha entre supostos índios, agricultores, moradores, mortos e o derramamento contínuo de sangue, bens, impérios e trabalhadores. Os diários crimes bárbaros, seja com uma criança de 4 anos sendo assassinada brutalmente em seu leito, ou por um assaltante sendo morto em via pública por policial a paisana e populares calorosamente agradecendo pelo gesto de justiça, ou talvez, por um menino de apenas 13 anos que munido de um moto de 125 cc, furou o bloqueio de uma blitz e em perseguição, pasmem, a vida foi ceifada por uma fatalidade.

Esses são apenas três dos casos constantes presenciados, alguns se vão por drogas, outros por vaidade, outros nem sabem o motivo e de que lado se encontram nesse combate. Aos poucos, esse conflito atravessa dimensões e propõem-se estarem além do raio A ou B.

Dispomos do ódio voraz, da partilha de sentimentos negativos - e tão vingativos - que sequer estamos nos dando conta do encontro do nosso destino, um neo anarquismo descomedido, transformado o futuro primitivo, ao tentar pagar na mesma moeda.

O governo anda mal, lamentamos. As vias públicas esburacadas, queixamos. Presenciamos violência, nos recolhemos. A saúde pede socorro, entristecemos. Abandonamos de forma sucinta nossos hábitos culturais, nossos momentos na praça com um sorvete na mão. 

Com tudo isso, apenas cresce a nossa sede de vingança, com uma desconstrução moral e física. Um governo que direciona os seus holofotes para a Copa, eleições e empreendimentos internacionais e esquece: a educação castigada, saúde violentada e a segurança maltratada.

Como fingir que tudo anda bem com o Exército, Força Nacional, comando especial da Polícia Federal, Militar e Civil, helicóptero, manifestações dos meios mais violentos possíveis? 

Lulu Santos diria: "Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade...", Renato Russo bradaria "Quem pensa por si só é livre e ser livre é coisa muito séria", Caetano Veloso, sairia "Sem lenço, sem documento, nada no bolso ou nas mãos, eu quero seguir vivendo.."

Estamos numa verdadeira sociedade do medo. Alguns estão a dois passos do paraíso, nós estamos a um passo da hostilidade.

Reina-se então, a treva, e aos poucos, a ruína.

"Quem não quiser sofrer, que se isole" - Fernando Pessoa

Juliana Soledade

17 de janeiro de 2014

Lá no jornal....

Publicação realizada no Jornal Sul e Sudeste

13 de dezembro de 2013

Gold Wood – Uma aventura no Velho Oeste

Os alunos do Studio de Dança Natália Azevedo ensaiam, a todo vapor, para o festival anual da escola, que ocorrerá dias 13 e 14 deste mês, no ICEI (Instituto de Cultura Espírita de Itabuna), sempre às 20 horas. O evento, uma amostra tudo aquilo que foi aprendido nos últimos meses, terá como tema "Gold Wood – Uma aventura no Velho Oeste".
"Tem amor, bang-bang, emoção, xerife, forasteiro, índio, uma mistura de personagens... O festival é uma confraternização, para que os pais vejam aquilo que a gente está trabalhando", resume a professora e bailarina Natália Azevedo, responsável pela escola, que funciona na Rua A, Loteamento Ruffo Cunha, Centro (ao lado do Hospital Manoel Novaes).
Com aproximadamente 60 alunos, de três a 60 anos de idade, o estúdio funciona de segunda a sábado, oferecendo aulas de balé, jazz e sapateado.
E o melhor, minha pequena e doce bailarina Maria, estará compondo o palco, nesse espetáculo grandioso e muito lindo.

Espero vocês por lá!
 

5 de dezembro de 2013

Danos morais x Falta de afeto

Discutir sobre relações de afetividade não é o diálogo mais confortável para se prolongar, principalmente nos casos em que a relação entre pai e filho não é das mais afetuosas, sobretudo quando existe o descaso, o indiscutível desprezo, uma enxurrada de omissões e quando a exclusão se perpetua friamente. Não podemos negar que o tema vai além dos direitos e deveres, mas questões éticas, morais e racionais devem ocupar (ou deveriam) a lucidez do genitor.
É sabido que o reconhecimento dos filhos poderá se dar de forma voluntária ou de modo judicial, produzindo efeitos, alguns de cunho patrimonial, outros de caráter pessoal. Entretanto, paira uma indagação sobre a maneira de como a tutela jurisdicional pode elucidar a pretensão do cumprimento de um dever, elencado como moral, condenando assim, a uma indenização pecuniária por sentimentos de abandono afetivo.
Juridicamente falando, a ausência do amor não é ilicitude, uma vez que o amor está no plano da valoração, ele não é normativo, por isso podemos absorver claramente que o amor é relativo. Não existe por parte do legislador, nenhuma referência explícita sobre a obrigatoriedade do amor, da dedicação e do apoio em sentido amplo do afeto, fazendo compreender que não há obrigação no dever moral para suprir a necessidade afetiva à prole.
Ressalta-se, porém, que a ausência não é um fato gerador de dano; a presença pode ocupar esse lugar, afinal é notório que, por vezes, a presença pode ser potencialmente mais nociva ao filho. Curiosamente, notamos que o afastamento do genitor ou genitora pode ser por amor ou pela necessidade, já que os conflitos que cercavam aquele ambiente poderiam causar um dano maior à criança.
A ausência de uma das partes (pai ou mãe), já é por si só, danosa à parte. E, independente da idade, é completamente possível ter algum tipo de problema psicológico e/ou sócio afetivo relacionado, entretanto, é essencial observar sobre a finalidade do dano moral, que é a compensatória para a vítima, punitiva e pedagógica para quem praticou. Com efeito, crianças que crescem em ambiente permeado de afeto e cuidado têm possibilidades maiores de bem desenvolverem sua psique, o que implica em indivíduos mais aptos a conviverem em sociedade Ora, então quem faltou com o amor é obrigado a ‘pagar’ por esse amor não destinado ao longo dos anos?
A justiça com o caráter punitivo ensinará como amar? E punirá alguém por não ter dado o amor como se devia? Não consigo vislumbrar como um pai/mãe amará seu filho após uma decisão judicial, pois quem o via apenas com indiferença, a partir da decisão, passará a odiá-lo, e qualquer chance de reaproximação será totalmente transformada em dor e frustração.
Não podemos olvidar, que os livros de direito de família não estão se encaixando nos modelos mais rigorosos, uma vez que os fenômenos sociais denominados relações familiares vão muito além dos livros jurídicos de direito de família e inevitavelmente será ausente, visto que a doutrina dita como politicamente correta não responde às novas (e algumas) relações familiares.

Devemos separar a obrigação do amor da assistência patrimonial, assuntos distintos dentro do direito de família. 


Juliana Soledade é estudante de Direito

4 de dezembro de 2013

Lá no jornal...

Publicação realizada no Correio de Ibicaraí

22 de novembro de 2013

Em busca do sossego



A 40 minutos de Itabuna, Ibicaraí oferece tranquilidade e sossego no interior, com um dia a dia mais calmo, sem engarrafamentos, sem buracos nas ruas e sem ocorrências de violência extrema como Itabuna. A pacata cidade oferece tranquilidade e ar puro para viver bem. Poder ir à padaria e ao supermercado não se torna cansativo, bem como a distancia dos lugares e quantidades de veículos são bem menores, não há perca de tempo em trânsito ou acumulo de tensão semelhante aos grandes centros.

Numa cidade pequena, a vida torna-se bastante aprazível tem qualidade e harmonia. O nível de estresse é muito menor na execução das tarefas do cotidiano, proporcionando maior tempo útil livre e muitas vezes, há possibilidade maior de interação com a família e amigos. O custo de vida também é um grande atrativo, já que se gasta bem menos para se morar e divertir, ou seja, é possível viver-se confortavelmente sobrando mais na conta bancária.

Fazendo comparação com Itabuna, o valor do metro quadrado na cidade é bem mais favorável, residências e terrenos tem custos, em média, 10 vezes mais baixos.   Também é possível que as crianças retornem sozinhas com tranquilidade da escola, entretanto existem serviços de vans que fazem o transporte escolar.

Com menos de 25 mil habitantes, Ibicaraí oferece diversos serviços como: Três bancos, sendo Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Bradesco; Excelentes escolas particulares, como referência a Pingo de Gente, com ensino infantil, EPOM do ensino infantil ao fundamental e o Guedes que oferece do ensino infantil ao médio; Uma faculdade com distintas instalações; duas escolas de inglês, CCAA e Rocket.

Citando outras informações, a cidade oferece três postos de gasolina; três pousadas com boas instalações e serviços; quatro restaurantes com uma caprichada comida caseira, sendo um com chefe de cozinha internacional, com passagens em restaurantes de Búzios, Islas Margarita e Ibiza, além de lanchonetes, pizzarias, entre outros.

Para quem gosta de permanecer saudável Ibicaraí oferece quatro academias, duas delas com ar condicionado, e uma com serviço personalizado, atendendo somente a quatro clientes por sessão. Para cuidar de suas enfermidades a cidade é servida de duas clinicas médicas bem equipadas, com exames laboratoriais e de imagem, atendendo a varias especialidades. Existe também uma clínica de fisioterapia.


Ibicaraí tem três clubes de serviço: Lions Rotary e Maçonaria. Para diversão existem dois clubes sociais com piscina o Clube dos Comerciários e o Clube dos 40, sendo o último local de encontro dos amigos do futebol e palco de festas regionais, como a Feijoada VIP. Nas redondezas locais de lazer ecológicos, com trilhas e cachoeiras, um balneário e uma barragem de 4 km de extensão que são bem aproveitados por amantes da natureza ou de aventura como o grupo de motociclistas ‘Trilha Sem Rumo’.

Só dois por cento dos municípios Brasileiros possuem um cinema e Ibicaraí é um deles. As instalações são relativamente novas e o local é climatizado fazendo da experiência de assistir um filme algo bastante agradável. Os filmes em cartaz são exibidos de acordo com o calendário nacional de lançamentos.

O município tem uma agência do INSS, fórum e é sede da 63º Comando da Polícia Militar da Bahia. Muitas obras federais foram trazidas para o município e permanecerão servindo as populações vindouras. Importante ressaltar que a cidade proporciona quase 100% das ruas pavimentadas, boutiques charmosas, a noite um encantador ar bucólico, micro empresários locais aos poucos estão sofisticando o visual das suas lojas.

Um empresário local está desenvolvendo um loteamento com área residencial e galpões comerciais. Esta é uma ótima oportunidade de investimento com retorno em médio prazo.

Podemos concluir que é um verdadeiro luxo, andar nas ruas sem medo e respirar ares mais puros que não se encontram em qualquer lugar, abandonar o medo da violência, poluição, correria. Estes são alguns companheiros indesejados de quem mora na cidade grande, e são praticamente inseparáveis. Para fugir dessa rotina estressante, muitas pessoas têm decidido mudar completamente suas vidas, trocando as metrópoles pelo interior em busca de rotina mais tranquila e qualidade de vida. Ibicaraí oferece tudo isso, e aqui bem perto.


Juliana Soledade é residente em Itabuna, empresária, estudante de Direito e blogueira do www.irreverenciabaiana.com

20 de novembro de 2013

Lá no jornal...

Publicação Realizada no Jornal A Região

28 de junho de 2013

Os efeitos das manifestações

“O que querem os jovens e as multidões, com essa massa esmagadora de tantos questionamentos?”

Uma pergunta que ecoa de um milhão de vozes, que ainda faz o país implorar por resposta digna e concreta. Vemos que o gigante espreguiçou e dominou a sociedade que até então estava adormecida.

Os protestos dos anos 60/70 tem uma identidade política de esquerda, enquanto esses protestos têm uma identidade mais diluída, tanto social, quanto civil, os protestos atuais não querem ser vistos como de direita ou de esquerda, estamos contra o sistema, não há liderança aparente, não há nomes específicos, familiarizados ou não nos representando. É a voz do povo.

Desde a campanha das diretas da década 80 no século passado, não se via nada semelhante na historia do país. Na última vez em que o povo invadiu as ruas em busca da tão sonhada democracia o presidente caiu, ao rememorar esse fato percebemos que o povo tem voz, e como diria Chico Buarque na música “Roda Viva”: “A gente quer ter voz ativa/ No nosso destino mandar...”..

Percebemos que as pessoas não se sentem representadas pelas instituições democráticas, não é contra a democracia, pelo contrário, a favor desde que tenha a efetividade garantida constitucionalmente e a nossa multidão representativa é ciente que de fato nada está sendo tratado como deveria.

O que querem de fato os manifestantes? Participar? Serem ouvidos? Falar? Se fosse apenas isso, esse objetivo já teria sido conquistado, mas não, queremos muito mais, queremos influenciar diretamente, como um país dito democrático, onde a voz do povo deve ser ouvida. 25 anos de vida democrática e consciente disso é que vamos às ruas e preenchemos as lacunas existentes, seja com o nosso grito de socorro, seja com as nossas mobilizações.

Não vivemos uma guerra civil, não temos as dores do Iraque, não sofremos como a África, não estamos diante a escravidão da China ou a ditadura de Cuba, contudo estamos na opressão, principalmente quando somos obrigados a aceitar a importação seis mil médicos estrangeiros - diferente de médicos formados que estudaram em outros países e para exercer a profissão em território nacional é necessário revalidação do curso em universidade federal e não o investimento na saúde pública.

Sofremos na prepotência quando um homofóbico assume uma comissão de direitos humanos. Vemos a tirania de políticos que tentavam a aprovação da emenda constitucional (PEC-37) para justamente desconstituir o poder de investigação de uma instituição que ainda consegue atuar com independência e tão somente pela nossa luta que, por unanimidade este Projeto de Emenda Constitucional medíocre foi desestabilizado e rejeitado. Somos obrigados a aceitar a corrupção, os desmandos e tantos (des)governos.

Não podemos esquecer-nos do significado de MOVIMENTO: coisas que se mexem, que se animam, que se espalham e depois mesmo desaparecendo deixaram marcas, com valores e identidades especificas. Movimentos que trazem uma grande mudança cultural: passamos a pensar diferente, esclarecendo que não estamos apoiando o atual sistema econômico, logo não está refletindo na necessidade do nosso corpo social.
Apresentando a pequena Maria o que é democracia.

Às vezes parece ser apenas vinte centavos, mas é a chamada “cascata de informação” como bem diz os sociólogos, que se realiza quando um grupo pequeno tem uma atitude em comum e decidem se unir, nesta união tudo ganha proporções interessantes, as ações se tornam maiores, em seguida, mais pessoas acreditam nesta ‘atitude do bem’ e de repente a Avenida Paulista, como tantas outras do Brasil se tornam cobertas de pessoas buscando a tão sonhada revolução com um ‘cardápio’ de reivindicações para começar a mudar um país que por vezes se mostra engessado.

A partir de uma tarifa, um pequeno aumento, desvendou os brasileiros e mostra dia após dia que está tudo errado no sistema, a tarifa é apenas um símbolo... Apesar de uma questão ínfima tornou-se imã para os tantos problemas existentes, as questões individuais que se tornaram um corpo e hoje tem voz para somar ao coro.

Essa onda de manifestações que varrem o país quebra o silêncio que ficou insuportável para uma parcela expressiva da população e o alcance da manifestação prova que o mundo virtual é o mundo real e esta sendo escrita uma nova página da nossa história.

Existe um tipo de liderança, diferente da tradicional, a de hoje está diretamente ligada na tecnologia. ‘As lideranças’ são aquelas que tomam iniciativa virtual para os movimentos que é muito mais complexa do que os movimentos anteriores. Da mesma forma que a mídia é muito mais complexa do que em movimentos que já aconteceram. Sem bandeiras nas manifestações, os jovens não querem representações partidárias.

Com a acessibilidade para as redes sociais e a difusão de informações com rapidez, temos uma grande quantidade de pessoas que aderem com facilidade, facilitando taticamente a ação dos manifestantes, entretanto, é importante frisar que nenhuma manifestação ocorre por causa das redes sociais, mas ela difunde e propaga as informações.

Não podemos deixar de enxergar os excessos, existem de ambos os lados e vem encontrando resistência naqueles que defendem o caráter pacifico das manifestações, por vezes prejudicando àqueles ‘do bem’.

A multidão se volta para uma grande demonstração de democracia e é nas ruas que vemos a força de expressão do coletivo, também está à ação de alguns grupos mais violentos, mas eles são minoria e não representam a grande massa unida em busca da mudança.

Pensando de maneira prática e objetiva, o movimento já deu certo, a pressão funcionou. Os aumentos foram revogados e outras cidades se comprometeram a essa decisão, só que as nossas reivindicações ultrapassam os aumentos tarifários do transporte, e, justamente neste outros temas é que batalha está travada e demorara até termos uma resposta à altura, porque os cinco pactos anunciados pela nossa presidenta são apenas um ‘cala-a-boca’ para a sociedade brasileira e a reforma constitucional é apenas mais uma manobra política, onde muitos juristas renomados já se posicionaram contra a partir de tantas divergências após o anúncio.

Pois o que queremos afinal são mudanças que atinja a estrutura em longo prazo: mudanças que sejam econômicas, politicas, jurídica, entre tantas outras necessárias.

Não deixemos de lembrar que ano vindouro teremos a copa do mundo, ano politico, e no balanço não podemos ignorar o peso dessa multidão que clama o hino nacional, deixando de permanecer “deitado eternamente em berço esplêndido” e mostrando que “um filho teu não foge à luta”, insistindo na prática das palavras de ordem e progresso de nossa bandeira.

Juliana Soledade

21 de maio de 2013

Como se situa a família no meio pós-moderno?


Questionar os novos relacionamentos é sem dúvidas, adentrar nas organizações parentais, que antes definida apenas com a expressão ‘família’, hoje admitida pelo próprio Código Civil em vigor no nosso ordenamento jurídico como um vocábulo em diferentes sentidos, apresentando tratar-se de uma palavra plurívoca, não unívoca.

Avaliar os processos que permeiam as organizações familiares, de modo que, torna-se singular a aprendizagem sobre diversos conceitos em alguns dos pilares envolvidos como os morais, psicológicos, jurídicos, emocionais e religiosos, que é de tamanha magnitude e interessa toda a sociedade brasileira.

Perrot (citada em Farias, 2001, p.1) destaca “o que gostaria de conservar na família no terceiro milênio são aspectos mais positivos: a solidariedade, fraternidade, ajuda mútua, os laços de afeto e o amor. Belo sonho”. Refletir com o autor é indagar até onde se compreende o individualismo no novo modelo familiar, como podemos interpretar o ‘Belo sonho’? Questionamento este que é necessário, baseado na análise do sujeito pós-moderno que se dispõe com uma conveniência em tratar o seu bem-estar e felicidade como pilares individualistas, que se torna diferente daquele que fora compreendido como em total comunhão em tempos passados.

Segundo Adrienne Burgess e as promessas de compromisso, escreve (citada em Bauman, 2004, p. 28), “são irrelevantes a longo prazo”. Ora, os compromissos se tornaram viáveis até o momento onde deixará de ser ‘lucro’. O relacionamento citado na pós-modernidade abandona-se o pilar religioso e encrua-se no investimento como qualquer outro, como bem coloca Bauman, como acionistas.

Assim sendo, diante a perspectiva do hoje, encontramo-nos na sociedade do “eu quero”, “eu posso”, “eu gosto”, “eu não quero”. Com um corpo social que se entrega a paixão que é doce no principio e amargo ao final, aniquilando um principio Crístico da bondade que vem a ser amarga no começo e doce no desfecho. Os princípios éticos-religiosos no amadurecimento do humano estão sendo abandonados, uma vez que os casais vivem segregados na abundância e quando a necessidade de cumplicidade surge simplesmente a extinguem-se, que por ora, já estavam separados desde a sua formação, a luta pelo ‘nós’ é substituída pelo ‘si’ e, é fundamental ressaltar que, em muitos casos nem os filhos são incluídos nesse modelo familiar. Deste modo, sendo contrário aos ensinamentos da sagrada escritura.

Numa visão teológica e de acordo com a Bíblia, (em Gn 1. 27, 28): “criou  Deus, pois o homem à sua imagem, à imagem de Deus os criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra...”, compreensão que abarca o ensinamento do primórdio familiar criado por Deus, onde ainda não havia a sociedade, leis, Igreja. Deus não apenas criando, mas também abençoando o escrito, trazendo a visão de que o casamento e todos os frutos oriundos brotaram do coração do criador. 

Juliana Soledade
Itabuna/BA,  21 de Maio de 2013

1 de abril de 2013

Lá no jornal...

Publicação no Jornal A Região.
30 de Março de 2013