Bacharel de Direito, estudante de Teologia, pós graduanda de Direito, escritora, empresária e blogueira. Quase mulher, quase gente, quase anjo, quase santa. Apaixonada por nuvens e mar. Nem muito doce e nem tanto amarga. Feita de carne, osso, pele, cor e poema.

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13 de agosto de 2015

Uma carta para mim mesma 10 anos atrás

Olá, Jú,


Sou eu, ou melhor, sou você lá na frente. As palavras a seguir causarão estranhezas enormes na sua cabecinha, uma dose absurda de descrença e uma frase com exagero deboche “quem você pensa que é?”. Mas recebi o direito de promover todas essas sensações em você, e muito embora as próximas linhas assemelhem-se com profecias, estão longe de sê-las, são apenas verdades.

Um acontecimento incrível irá mudar TODA a sua trajetória de vida. Você sentirá dor e desconfortos absurdos, mas conseguirá amar mais do que a você mesma. Aprenda a partir de agora que a dor pode ser boa, você carregará essa frase por muito tempo. Isso tudo apenas para que compreenda que as voltas dadas pelo mundo são tão somente para desnudá-la de corpo e alma, para si e para o restante do universo.

As suas crenças e certezas serão colocadas à prova. Mas o amor será a primeira redenção e a última cura. Não se engane com esse corpo franzino, você ganhará formas de todos os jeitos, formas inclusive na fortaleza que parece ser tão escondida. O resultado disto? Você dará vida a sua vida e a tantas outras. E só lhe digo isto porque vi acontecer...

Uma breve introdução para absorver com mais clareza o que vem a seguir:

Nos próximos 10 anos:             

Nesse momento, você está em imersa em dúvidas. Uma delas é com o amor real que te bateu na porta. A essa altura já percebeu que todos os outros foram amores platônicos, e não passaram disso. A segunda grande dúvida é como ser mulher e abandonar o corpo e desejos de menina, esta dúvida infelizmente será desvendada rapidamente. Não é preciso ser vidente para saber que você se jogaria de cabeça nesta relação, você nasceu intensa, vibrante.

Quando você pensar em atirar esse amor arrebatador para o alto, compreenderá que não vai poder. Enigmaticamente descobrirá que um ser está dentro do seu, e sim, você só tem 17 anos. Receberá propostas indecorosas para jogar essa vida para fora, mas será forte o suficiente para começar a amar desde o teste de gravidez.

A parte ruim é que o amor não era tão real assim, e ao passar dos anos você terá que assumir as duas funções: mãe e pai, mas lembra de quando eu falei da fortaleza que seria? Então, começa aqui! Vejo-te como uma mãe valente e feroz, no entanto, uma mãe tão doce quanto o mel e que saberá despejar doses absurdas de amor diariamente.

Forte não será apenas o seu ponto chave, também será decidida, isso soará como um sobrenome. Sim, abandonar um grande amor te fará desprendida de energias ruins e dores desnecessárias, possibilitando que outras pessoas sejam felizes nessa história. Nessa questão você entenderá que muitas vezes o pior e o melhor caminham lado a lado de mãos dadas.

Você se casará pouco tempo depois, como sempre sonhou: véu, grinalda, alianças decoradas e muito sonho no altar. Entretanto você casou beira-mar, menina, tenho certeza que as ondas levarão para bem longe tudo aquilo que você não merece. Mais uma vez eu lhe afirmo, você será forte, e embora pareça frágil, saberá que tem uma armadura de aço te protegendo.

Juliana, eu ainda vejo como uma menina, tão cheia de responsabilidades e medos, mas por que carga d’aguas pediu para vir ao mundo com emoção? Não adianta reclamar, eu ainda não parei. Preferi andar acompanhando juntamente com a sua intensidade seus anseios e coragens. Confesso que estou assustada, porém tranquila em saber que às vezes consegue ter boas decisões.

O mais bonito que eu vejo é esse amor que você esparrama, acontece que, lançará sem medo e acaba se machucando quando percebe que ele não é devolvido. O choro será seu amigo, queria dizer para não chorar por tudo, mas é sua natureza, se a felicidade atinge em cheio, terá lágrimas cristalinas com um sorriso incandescente, todavia a mágoa e tristeza também provocarão soluços com nariz entupido.

Um grande amor abandonará esse plano, e mesmo sabendo que isso pode acontecer a qualquer momento, você não irá aceitar, por isso vai sofrer mais do que o previsto. O pior é que essas dores se arrastarão até os dias de hoje. A terapia vai aliviar seu coração. Sim, não deixe de fazer terapia.

Você vai conhecer amores i-nes-que-cí-veis, mas se arrependerá de ter conhecido a grande maioria. Outros dois você viverá de memórias, lembranças e gratidão; Você vai conhecer a morte de perto; Aprenderá a ter medo de médicos, injeções e hospitais, isso medo dos grandes; Vai passar por alguns renascimentos nesses 10 anos, e lhe digo que embora ainda esteja escrevendo como uma menina, todos dirão que cresceu.

Vai acumular pontos, tanto no cartão de crédito quanto no corpo; Vai conhecer diversos estados e culturas; Vai inventar desculpas para viajar, justamente por descobrir a sua própria companhia é imbatível; Vai conhecer um punhado de gente bacana nestas viagens; Vai se apaixonar por Chico Buarque. Eu sei que quer conhecer o carnaval de Salvador, será apenas um sonho dissipado em pouco tempo. Aprenderá a ter medo de multidão e carnaval não é um bom plano.

Conhecerá o estudo por outro cenário, será uma das suas grandes paixões. Acumulará diversos cursos distintos, dando desculpas a cada um deles; Se arrependerá de ter queimado o primeiro livro, mas isso será o impulso para escrever outros três. Isso vai te fazer ainda mais forte.

Por fim, estou aqui na frente tentando fazer entender que as expectativas, gargalhadas e sexo não são requisitos para uma vida perfeita. Esqueça um pouco o passado, lembranças ao excesso embaçam o presente.  

Mas eu sei que quer ter certeza sobre o futuro, definitivamente fique tranquila. A vida te reserva muito mais do que pode imaginar: frio na barriga, coração disparado e uma avalanche de emoções como um livro de Rubem Fonseca [você também vai se apaixonar por esse autor!].

Te espero cá na frente, acompanhada de histórias surpreendentes.

Dois beijos,


9 de junho de 2015

Passaporte

Encontrei aquele homem que me fez perder a noção de quem sou, do que estava fazendo e onde estava. Achei tudo tão incrível, essa é a parte boa, mas a pior arte mesmo é que deixei de ser dona de mim mesma.

Ele é o meu passaporte para a felicidade. Os seus olhos sempre ditava o próximo e mais constante destino: os seus lábios molhados. Sabia sussurrar com a sua respiração ofegante em meu pescoço, tilintando minhas ações como um encanto: os beijos sedentos pelo corpo, minhas mãos correndo por sua pele macia, meu sexo que se transforma em nosso sexo e um prazer violento e derradeiro sobre nós.

Eu perdi a razão, as rédeas e a consciência, em contrapartida me lancei nos meus desejos, anseios e vontades que me guardavam até os meus trinta e poucos anos de vida. Ele é aquele bilhete premiado da loteria, quando penso nos abraços no meio da chuva consigo sorrir sozinha com a conta bancária em vermelho, esqueço que segunda-feira ainda é o dia mais chato da semana, e abraço o chefe como meu melhor amigo.

Ele me faz contar borboletas na barriga quando diz que vamos nos encontrar no final do dia. Possuidor de um sex appeal indescritível me fez ver estrelas cadentes quando me trancou num quarto, seus olhos reluzentes como chama me tragou como o melhor dos cigarros, embebedou de mel e voraz se despertou para mim.


E eu sei que ao ver naquela calça jeans com a camisa branca minha respiração vai ofegar novamente, e todas as últimas vezes sempre vão parecer com a primeira. Nosso perfume sempre parece o mesmo, o de amor exalado, que mistura com a pegada no cabelo, a mordida na orelha e o beijo estalado. Uma viagem extraordinária para o horizonte só nosso...

13 de abril de 2015

Da entrega ao fim

Meu amado,

Possivelmente essa carta jamais chegue até suas mãos, mas caso atravesse os seus dedos é porque tinha que ser. Era preciso que você soubesse o que penso sobre a vida, sobre os encontros, sobre nós e os tantos desencontros, aquele que perdemos, ou o que tivemos. O quanto amamos sem rotular amor, e pior sem verdadeiramente viver esse amor de maneira completa e plena. Fizemos um bem mútuo, guardamos segredos por anos, do pouco e do tão intenso que partilhamos, mas tudo tão excepcional que valeu por toda a vida.

Mesmo aquilo que não vivemos, mas desejamos intensamente, tateamos ou sentimos, acabamos vivendo, mesmo que tenham sido em vidas completamente distintas e distantes. Aprendemos em outros mundos, sem qualquer percepção de nossos companheiros. Não quero que se amargure por isso, você foi o melhor dos impossíveis para mim. Um completo tesouro de afetos, que mal cabia em mim de tão precioso.

O que nos limitou foi uma vida limitada as nossas intensidades, contudo, vibrante a cada mensagem trocada. Éramos obrigados a registrar os olhares que não pudemos contemporizar, as vivencias que tínhamos prometidos, mas que escaparam como água entre nossos dedos. Senti falta de tatear seu corpo nas noites frias, falta do calor do beijo e do abraço, do toque tão másculo que me fez sentir viva, do diálogo sadio e produtivo, do riso farto e apaixonante e das 
suas memórias serenas que partilhou comigo.

Meu amor, vivemos sempre em vidas paralelas, mas amamos todos os nossos segundos dedicados um ao outro, somos mestres na entrega. Fizemos do nosso amor uma arte deliciosa, brotou com um simples toque e nunca se decifrou, quase que impossível ele se sustentou por anos com a mesma intensidade da primeira troca de olhares. Nos amamos com a grandeza de adultos conscientes.

Você foi tão atinado, permitiu que eu fosse sempre eu mesma. Soube derramar o seu amor e desejo sem nunca depender de mim, nunca se submeteu aos meus caprichos e nunca foi bajulador. Compreensivo e sem críticas, ao contrário, sempre tão incentivador. Tínhamos um lugar no espaço e no tempo de nosso sentimento e de emoção. Renunciei amores e tive a coragem de sofrer por minha decisão.

Querido, você foi um grande amor. Uma entrega completa em nossos encontros. Como a música ‘Elegante, fino e sincero’, sempre se destacou assim e foi a minha melhor poesia na figura de humana. Eu era o gesto, o barulho, a mulher completa, como chamada por você ‘do despojamento à sofisticação’. Uma relação integral. E por mais que tente definir quem fomos e somos, jamais conseguiria, éramos caviar, rapadura, música clássica ou rock, salsa ou bolero, terra e ar, água e fogo, éramos adaptáveis. Embora tão ambíguos, fomos paz, sem variações.

Pensar em te deixar me dói muito. Só de pensar fico aterrorizada. Mas, a vida, de repente ficou muito preciosa a ponto de continuar presa como uma terceira pessoa nessa relação. Abandonar um relacionamento que sempre foi um empate de afetos, nenhum dos dois amava demais, ou se entregava demais, fomos iguais, inteiros. Recebíamos amor diariamente, e expressávamos sempre com a mais louca intensidade em nossos encontros.

Peço que não mude jamais, seja da grande aventura à doce ventura. Ame quem o entenda, e quem mereça você quando eu terminar esta carta. Quero vê-lo feliz. Tenha sempre um segredo, assim como o nosso. Preserve essa mágica que abandona medos ou convicções. Cultive os momentos e a simplicidade. As lembranças são como um afago em nossa memória.

Não se lamente, mas reze por mim, para que eu me mantenha em paz. Tente com as suas forças fazer isso sem me procurar, necessito me desligar de você. Vivi intimamente emaranhada aos seus afetos. Agora é hora de acenar adeus. Preciso viver o próximo tempo na intensidade de um ciclone, sem me autodestruir. Acorde querido, o sonho está acabando, apesar de querer continuar sonhando em braços, eu não posso mais.

Seja você e seja feliz, aceite suas dores e tenha fé. Ame, como te amei em todos os dias. Preciso que entenda que esta carta é apenas uma memória em homenagem ao nosso amor. Escrevo apressadamente porque caso desapareça, posso não surgir novamente tão cedo.  


Guardo você aqui, bem no centro.



Márcia

7 de abril de 2015

Do amor, sobrou o lamento

 Meu amor,


Preciso muito te dizer que o seu dinheiro sujo não me comprou, e que as flores baratas não me conquistaram. Elas até me alegraram por um tempo, seria injusta de omitir esse fato, mas flores demais me faziam mal. Como tudo em excesso gera um desconforto inexplicável.

Passei a detestar as coisas que mais gostava. As cobranças insistentes e banais me fizeram abandonar prazeres gratuitos e simples. A música já não tinha o mesmo valor, a vontade de encontrar com os amigos tão queridos também foi aumentando dia após dia, afinal você os criticava um a um, sem dó. Os meus sonhos e projetos censurados com o tridente do diabo, tornaram a condição de possíveis de serem concretizados. As roupas definidas como proibidas, voltaram a compor meu look. E a felicidade retornou à sua morada.

Fui capaz de entrar no salão e sair devidamente como eu gostaria de me sentir, e não mais como gostaria de ser vista por seus olhos. Voltei a ter os meus desejos realizados, e as minhas pretensões saciadas.  Você não reconhecia a profissional que sou e que todos ao me redor enxergam, entretanto eu também não via o administrador que se diz ser. Pesos iguais para medidas diferentes.  

Após um desafio travado comigo de longos e intermináveis meses, percebo que cinco mil amigos em cada rede social nada dizem, e que amigos são aqueles que estão conosco nos motivando para enfrentar as batalhas e deleitando do riso insaciável nas conquistas, e não aqueles que enviam mensagens generosas sobre o que pode sugerir uma amizade, e que nunca poderá confidenciar e partilhar de uma amizade sincera.

Chegou um momento que tudo me incomodava: as tuas inúmeras marcas de expressão, o teu modo rabugento de criticar a direção do vento, a forma como determinava a altura do volume da televisão, a limitação no uso do celular, ou a obrigatoriedade de dormir naquele determinado horário. O amor foi sendo jogado do segundo andar, todos os dias.

Por fim, não obrigue as suas companheiras futuras a lhe ouvir cantar, deixe que a queira te ouvir; não exija massagens diárias nos pés e não implore por afeto. As pessoas são mais felizes quando ofertam aquilo que de fato são.


Necessito te falar que a vida é mais feliz sem você, e do amor sobrou somente o lamento.

Até,


Luciana

6 de abril de 2015

Inesperado


O inesperado é que carrega a consciência para onde quer, levando o foco para uma agitação só deles e tão necessária. Absurdamente necessária. O desejo suga todos os pensamentos e realiza todos, um a um.

O desejo é avassalador. Braços, pernas, cabeça e tronco, uma mera sugestão de corpos que se camuflam, aconchegam, e se esgotam. E, justamente neles que se encontram juntos um no outro. Só se vê chama ardente pelos olhos, já os corpos tão cobiçados, faíscam no escuro.

Boca seca, sedenta de outra língua. Um desejo voraz que aumenta involuntariamente, alimentando-se de outro corpo. Tão urgente como uma dor – que não faz doer, mas implora -, não há como negá-lo. Não há como evitar, é preciso satisfazer urgente. Esfregando a pele nos lençóis, contraindo todos os músculos. Uma sensação de fogo invade a carne viva, provocando uma série de desregrados espasmos. 

Não se importam de onde vem, som da sua voz, o que traziam em sua mala, ou a comida preferida. Não se importaram tampouco com as músicas escutadas, ou as roupas que vestiam. Não queriam nada disso, apenas tragavam desejo e se reconheciam na multidão. Isso apenas bastava

Juliana Soledade

4 de abril de 2015

Adeus necessário

Querido,
Eu não sei mais em qual rio você navega, ou qual a dor do seu playlist. Não sei se a calça anda combinando com a camisa, ou o cinto com o sapato. Não sei se ainda continua com aquela mania de obrigar que o outro se cale com a sua última palavra. Não me importa mais a falta das noções gerais de assuntos simples. Não me faz diferença se é apenas um disfarce ou a mentira travestida de homem. Não me interessa mais, desde o nosso primeiro e último adeus.
E, por mais que digam que quem perdeu foi você, acredite, quem perdeu fomos nós. Perdemos a oportunidade de ter evitado o encontro de o primeiro olhar, o calor do primeiro beijo. Perdemos a possibilidade de calar ao invés de sussurrar as inúmeras juras de amor, nunca cumpridas por ambos os lados. Perdemos um valioso tempo sucumbindo medos e anseios. Perdemos a nossa real necessidade de permitir a aurora com quem de fato amamos.
Confesso que nunca havia desfeito de nenhuma lembrança de outros relacionamentos, diferente do nosso, em que eu tive a necessidade de abandonar tudo numa encruzilhada, apenas para esquecer todo o sofrimento que passei ao seu lado. Picotei e queimei as fotos. Apaguei e bloqueei o seu número da agenda. Desfiz a amizade nas redes sociais. E criei um filtro sobre você, é como se nunca tivesse existido.
E nesse desespero todo, eu assumo, estou liberta. Ainda bem que existe branco e preto para disfarçar esses dias transfigurado de chuva. Escrevo apenas para atestar o quanto me fez mal e afirmar que a paz voltou a fazer as pazes comigo.
Um adeus necessário de quem nunca te amou,
Janaína

29 de março de 2015

Lançamento em Salvador

Meu modesto e desprentioso livro alcançou um patamar ainda maior do que eu imaginava, ele não só me traz alegrias especiais e diferenciadas, mas como também consegue reunir pessoas da melhor estirpe num só local.
Aconteceu nessa sexta-feira, dia 27, o lançamento do meu livro na capital baiana, Salvador. E entre as felicidades distintas desse momento, não posso deixar jamais de mencionar a maior de todas as felicidades: a possibilidade de unir numa só livraria e coração a família que a vida me presenteou. Em seguida, os gestos de afeto concedidos, as flores perfumadas, o carinho exalado, e o reconhecimento em cada pedido afetuoso de autógrafo.
Poderia ser como todos os outros lançamentos, mas não, não foi. Precisamente nesse eu tive a maior certeza de que estou no caminho certo, e que a cada sussurro no ouvido junto com o abraço era um desejo que vinha da alma, e sim conectava diretamente com os meus anseios e vontades.
Eu sempre faço questão de afirmar e atestar o quanto a literatura me faz alcançar outros patamares, outras vivências e permanências num universo estonteante, ‘onde palavras sonhos e devaneios não têm limites’.
É com o coração transbordando de gratidão que eu agradeço a livraria lotadíssima, aos escritores presentes, a Editora Mondrongo pela organização do lançamento, e sem sombra de dúvidas, a cada familiar, amigo e leitor que não mediu esforços para prestigiar.
A vida é feliz comigo, obrigada!
Fotografia: Milena Palladino

2 de março de 2015

Gerais de Minas


Era diante a paisagem de montanhosa de Minas Gerais que os passos se reencontraram. Uma marcha dedilhada na entrega e sensatez. Alguns meses de programação, uma troca incessante de mensagens virtuais, além das fotos sensuais compartilhadas, um desejo desmedido para a consumação de toda a rendição prometida.

Homem e mulher aquecidos por uma atração alimentada 
diariamente. Sem resistência ao arrebatamento, sem cordas e sem amarras. Uma tentação coberta de apego e ambição unida a um único propósito: provocar o derramamento de sonhos na realidade.

Ela uma verdadeira mina de lascívia, ele a personificação da libido. Um encaixe perfeito para tamanho anseio. Para espumante eles sabiam ser sede. Para o sangue correndo desesperadamente entre as veias eram prazer. A excitação tinha nome, rostos, corpos, somente dois egoístas conseguiam enxergar tudo isso.

No corpo completamente nu, ela dançava em chamas. Um comichão de atitudes desritmadas, uma predileção de vontades próprias. Tudo ganhava nome, a ortografia bailava junto do vai-e-vem progressivo. Beijos e desejos. Sexo e prazer. Rendição e febre. Luxúria e gozo. Uma dedicação mútua de entrega.

Nas montanhas todo esse querer era como um poço sem fundo, onde sabiam mergulhar de cabeça. Todo o resto aqui não existe apenas ilusão ainda cutuca os ombros de ambos.

Ele que com um tiro certeiro de cupido atingiu o local exato: o coração. Nada mais foi como antes. E agora, fruto de lembranças insaciáveis, questionam-se: 

- Como pode haver vida depois do amor? 

Juliana Soledade

9 de dezembro de 2014

Sobre a Felita



Eu brincava de escrever, dedilhava palavras, (re)encontrava amores e acenava despedidas, quando não estava no cais sacudindo o lenço de adeus, era eu quem partia rumo a novos mares. Com isso, consequentemente, me encontrei escritora.

A chegada do livro Despedidas de mim, não foi uma mera brincadeirinha de gente grande, foi um projeto que nunca adormeceu. sempre aquecido com sonhos que perfaziam as palavras. Guimarães Rosa diz que a felicidade é feita nas horinhas de descuido, e esse livro é bem das horinhas de descuido. Em momentos que a dúvida e a incerteza dominavam, era justamente momentos de reconhecido e aprazibilidade.

Juntar palavras é das alegrias que eu mais quero me aproximar. Encontrar leitores, discutir assuntos polêmicos, buscar formadores de opinião, e sem dúvidas, fisgar as boas interpretações para bem pertinho.

Com início no dia quatro deste mês, a FICC lançou a I Feira Literária de Itabuna, a Felita. Desfrutei da honra de poder compor o quadro de programação, encontrar escritores que viviam nos livros, partilhar de leituras animadas com outros velhos conhecidos, rememorar a passagem de Jorge, o Amado, nesta terra e dividir o microfone com Manuela que não é Mariana e é Bebert.

A proposta ousada da Feira que invadiu os espaços do colégio AFI apresentou-nos a importância da leitura, da democratização, da realidade ainda carente para a literatura, embebedamos de sons desconhecidos, aprendemos uma nova equação matemática (MUSICALIDADE + LITERATURA – PREJULGAMENTO = APOTEOSE DA CULTURA³³³).

Para manter o equilíbrio da balança, lamentavelmente para toda parte positiva existe a negativa. O lado negro se apresenta na presença de opiniões sem conhecimento por parte de alguns, na falta de imparcialidade a cerca dos julgamentos, principalmente para àqueles que não conheceram o trabalho desenvolvido por meses pela Fundação e tampouco dispõe de conhecimentos básicos que permeiam a cultura na formação do indivíduo.
Por aqui eu observo, e permito-me sonhar que ainda teremos possibilidade de levar a educação e cultura para outro patamar, aquele da valorização.

O flagra da foto é de Ricky Mascarenhas, comigo a doce Manu Berbert


15 de novembro de 2014

Labaredas


Outro dia – um dia de sol, de primavera, com o ar impregnado de luz e maresia -, ele chegou à porta daquela suíte de hotel com um andar atraente. Passos rápidos. E, antes mesmo que entrasse, ela notou que algo o acendia. Não era o mesmo que havia saído momentos mais cedo. Houve um choque ao se tocarem. Um abalo, um verdadeiro rasgo na realidade.

Não discerniam quaisquer palavras, o calor de um sussurro fez seu corpo ferver. Como uma ordem seus olhos fecharam, ele pousou seus lábios no pescoço dela, demonstrava vigor. A surpresa desse beijo – intenso, febril, criminoso, ao mesmo tempo enfeitiçado, por vir de um estranho – era a força oportuna para transformar seu dia.

Enquanto, confusa, procurava uma resposta para essa sensação indecifrável, mais abalada ficava, e sim, entregue para toda adrenalina que invadia sua matéria. Um traiçoeiro lapso de tempo. Ali, junto as suas vontades, estava o homem, frente as suas entregas. Nada havia nele incomum, sequer era sedutor, mas por algum motivo o corpo dela se fixou nele. E, no mesmo instante, o homem atraído por toda aquela beleza concedeu toda a sua febre.

Abrindo os olhos, ergueu-se, as mãos ainda cravadas em suas costas, como um derradeiro pedido de socorro. Ao encarar encontrou os olhos dele faiscando em tochas, idêntico aos dela. Virou-se e vagarosamente foi entregue a tortura, um sangue ardente correndo por todo o corpo – os dois – que agora se enlaçavam com mais firmeza.

Escorregou suas mãos pelo dorso, subindo laçou no pescoço, tomando posse do que poderia ser apenas mais uma erva daninha. Não havia mais retorno, tampouco arrependimentos. Rendida, viu seus lábios – e seu corpo - a total entrega. Assim mesmo, entre prazer e dor que se entregou ao proibido.

Cálidos, extremamente cálidos com o suor quente porejando de seus corpos, num átimo. Ele, homem impuro, estremeceu, o relógio já anunciava sua partida. Tascou-lhe o último beijo achando que nunca mais iria encontrar. Errou, como em todas as outras premonições.

Morro de São Paulo, 08 de Novembro de 2014.



26 de outubro de 2014

Carta na manga

A normalidade corria entre as veias dela, uma vida inteiramente sobre controle, seja do marido, seja na permanência educacional dos filhos, a vivência coerente e imprescindível de uma mulher que dispõe de uma generosa aliança em seu dedo esquerdo.

Poderia continuar tudo nos moldes esperados, senão fosse um número adicionado erroneamente no celular da jovem, uma mensagem disparada pelo whatsaap descontrolou todos os dias seguintes, uma paixão acidental espetou dois seres carente de desvelo. O desgaste matrimonial, a falência progressiva do anelo foi apenas a motivação necessária para o ciclo posterior, o impulso não esperado que se tornou desejado e parte da memória de dois corações ensanguentados foi a razão encontrada para os devaneios devidamente encravados na semiescuridão.

Não precisou de grandes subterfúgios, alardeou internamente sobre o seu desejo voraz de tê-lo em seus braços, tons sanguíneos latejantes forçava aquela vida. Alguns passos até o carro, outros quilômetros para a materialização desse querer. Uma vida que recebeu vitalidade de buscar o seu destino para além das regras de etiqueta, e da existência terrena.

Um abalo traiçoeiro na troca de beijos com lábios ávidos, sem juras de amor, sem vontade de mergulhar raízes naquela outra pessoa, e apesar do horário devidamente calculado, apenas fruir com prazer numa grande cama macia e delicada era o desejo de ambos. A cama os recebia para o encaixe, sem serem abreviações, sem limites impostos, apenas eles, nus, sedentos, como fogo ao vento, um incêndio apressado e necessário. Fogo, tesão e querer, nada mais seguravam dois amantes.  

Ao voltar, aliança no dedo, e um cotidiano a cumprir, alimentando o copo de água antes que evapore por completo. Porém, sem dúvidas, nada condiciona uma mulher, nem significâncias, nem irrelevâncias. Impecável somente o marido que transitava pelo tempo. 

Juliana Soledade

Primavera, 26 de Outubro de 2014

22 de outubro de 2014

Estranhos


Ele estava sob os holofotes, é verdade, mas piscou para ela, e permaneciam os olhares naquela jovem. Ela não imaginava o que seria passar mais dez minutos de sua vida sem aquele olhar, mas deu de ombros, meio desajeitada, não sabendo como lidar com essa situação.

O mundo estava entregando todas as chances para futuro esperado, o chão abria, revelando delicadezas logo adiante. Como se estivesse criando passagens para o caminho que desejava percorrer, não antes de marcar um novo encontro com a carta atirada atrás da porta.

Ele olhava para ela com olhos que a tirava de sua perspectiva e a levava para onde a música fazia parte da conversa, da caminhada e até da respiração. Não eram abreviações de seus destinos, e sim, palavras completas, que necessitavam de saliva. As únicas palavras ditas eram promessas doces de um mundo só dos dois. O sorriso dela conhece uma felicidade que ele deseja intensamente. 

Abandonaram a solidão, o preço mais cruel dos venenos e agarram lentamente ao que não respeita as razões, o amor. Dois corpos nus que dançavam em chamas, como se a eternidade fossem deles. E nesta noite, foram entregas dos seus desejos, das suas vontades, como lobos uivando na madrugada, era o ruído do mundo. Fizeram do desejo uma muleta, em constante necessidade de carregá-lo para onde for. 

O encontro dos dois sempre se revela como uma granava com o pino solto, fechando os olhos isolavam-se do mundo caótico, e se transportavam para aquele que queriam ver, normalmente, onde poderiam estourar a granada e serem explosões de seus corpos em brasas.

Não tinham como fugir daquilo que desejavam, a vida generosamente os colocava frente a frente. Não sabiam se o amor surge de repente, mas estavam abertos para ele, assim, prontos, inteiros, sedentos. Não importavam armadilhas, não enxergavam desconexões. O amor sempre sussurrava aos ouvidos. 

Estacionaram num único dilema, naquele em que se agarra e desvela nas repetitivas noites, rodeados do correr da vida. Não se poderia buscar o mais abstrato para perceber dois apaixonados. Uma pureza na necessidade de compreender o paradoxo entre o tempo que não para de fluir e uma sucessão de instantes variados com interrupções temporais que compõe o destino de ambos.

Primavera, 21 de outubro de 2014.

7 de outubro de 2014

Apartamento


Reparou a primeira vez naquele apartamento quando atravessou a porta as quase três da manha, após um voo turbulento e complicado. Noutra vez, ignorou qualquer detalhe e preferiu que absolutamente nada ficasse registrado na memória.

Pelas cortinas entreabertas, conseguia ver a noite iluminada, banhada de pecado. Enquanto do lado de fora enaltecia pecado, as suas costas ardiam de desejos.

Imediatamente, começou a imaginar os minutos seguintes. Questionamentos prováveis de uma mulher sedenta, porém apenas um castigou os últimos dias: Como será o morador deste apartamento? Tentando decifrar, foi além ao visualizar os instrumentos aparentes, enxergou um músico apaixonado, alguém com mais de 40 anos, talvez sensível, talvez nem tanto. Poderia ser implicante com a empregada por não deixar a refeição preparada e logo depois ofertar um elogio, para que ela o perdoasse. Alguém que notoriamente vive sozinho – e feliz.

Mas uma voz fez um convite intimidador. Rompendo silêncios e alagando as suas dúvidas. Ela seguiu, apartando o imaginário perturbador.

Ele correu os dedos pela sua corrente, sentiu a textura fria do metal nobre, arrancou-lhe um beijo e atirou-a na cama repleta de travesseiros. Ávidos, apagaram as luzes, o breu foi um jogo indecifrável de prazer. Por minutos não sabiam o que dizer, palavras desconexas, incompletas. Transportados para outro mundo, flagrando-se, despertando-se zonzos de um eclipse.


Ao abrir os olhos, foram luzes. Luzes que se multiplicavam com intermitência, completamente irregulares. Todas as partes se atraíam, como polos negativos e positivos. Pontadas de inquietações agrediam o peito completamente entregue, assim como o corpo e a alma. A verdade é que, neste despertar sentiu um espetáculo desconhecido, inesquecível de tão hipnótico.


Ela sentou-se, esfregando os olhos. Ainda era madrugada. Aparentemente tudo estava em ordem, exceto as duas vidas que viraram de ponta cabeça em poucas horas.
Agora, fragmentos de memórias, diuturnamente mensagens que postas no sarcófago são relembradas e enterradas em seguida na capsula do tempo.

E, se isto não era tudo, haveria, ainda, o mar?

Primavera, 07 de Setembro de 2014

5 de outubro de 2014

Esperança


Uma troca de olhares e quatro frases reticentes bastaram para a necessidade dos dias seguintes. Uma explosão de sensações perdidas, o encontro de novos indícios, fortes e contundentes.

De sua cadeira, a mulher, que a tudo observa, suspira. Tudo durou um momento, apenas. No instante seguinte via com tristeza o resultado de suas escolhas. De um lado a sua salvação, do outro a sua condenação. Em seguida, um mergulho, desaparecendo as suas ponderações impertinentes.


A enorme mesa de madeira escura, enfeitada por uma delicada orquídea, estava sempre coberta com livros, produções reais e noturnas que orquestrava desde o chão impudico, até a candura do paraíso. E era ali que a moça foi indispensável por muitos dias, entre tardes e noites que foram alimentos de um incrível laboratório.

Precisou de um tempo para abandonar a penumbra. Só então começou a perceber que as ranhuras eram maiores que os desenhos, grandes imperfeições irreparáveis. Isso eram efeitos do observatório construído. Daquele ponto, poderia identificar o avesso da vida: as ervas daninhas, encaixes fragmentados, ponto de partida sem largada.  Uma perfeita intimidade com seus segredos.

Ela piscou os olhos, atordoada.

Depois os abriu bem. E com surpresa, sorriu.

Um raio de sol incendiava o peito, despejando-se completamente onde estava em súplicas. A luz, incidindo nos seus tecidos atribuía novas cores ao seu redor, grãos de poeiras transformam-se em pássaros. O pequeno mundo, outrora turvo – onde tudo insistia ser pelo avesso – resplandecia.

É aurora.


Primavera - 2014

1 de outubro de 2014

Lá no Jornal...

Entrevista cedida para o Jornal Agora.
Grata pelo apoio e incentivo dispensado a essa humilde escritora.
Do resto, vamos continuar escrevendo porque isso me traz uma felicidade enorme!!
 


15 de setembro de 2014

Lançamento do Livro 'Despedidas de Mim' em Curitiba

Em parceria com a Livraria Curitiba, realizei o lançamento no parkShopping Barigui. Em uma terra notavelmente muito fria me apoderei da possibilidade de reunir pessoas maravilhosas para um bate-papo e sessão de autógrafo extremamente quente e contagiante.

A cada momento que apresento o meu trabalho, forma de criação, desenvolvimento, e finalização, sou presenteada por boas sensações e lembranças surpreendentes. Em Curitiba tive a oportunidade de mostrar a ‘menina que escreve’, aquela que por vezes se esconde em letras miúdas, a ‘menina’ que vive pelo mundo afora como se fosse seu e o carinho foi demonstrado pelos presentes da forma mais humana possível.
A recepção ofertada pelo vendedor Carlos, o funcionário Gerson, o gerente Júlio e toda a organização da equipe da Livraria me trouxe uma segurança enorme para que esse lançamento fosse um sucesso, e de fato foi, inesquecível.

As fotos são de Flávia Antunes e a Maquiagem é da talentosíssima Gaby Mozer.