Bacharel de Direito, estudante de Teologia, pós graduanda de Direito, escritora, empresária e blogueira. Quase mulher, quase gente, quase anjo, quase santa. Apaixonada por nuvens e mar. Nem muito doce e nem tanto amarga. Feita de carne, osso, pele, cor e poema.

Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

19 de junho de 2016

We are Brasil

O tal do modismo nos empurra para um abismo desleal. Por vezes eu tenho a sensação que estamos pragmaticamente perdidos.

Perdoem-me senhores, mas não vi manifestação além das fronteiras sobre o maior desastre ambiental do Brasil em Mariana/MG, sobre aquele menino do Rio de Janeiro, João Hélio, nem sobre o estado crítico de nossa política. Não vi que “we are” para o estupro coletivo, não vi “we are” para a modelo e apresentadora Ana Hickman, não vi “we are” para as vítimas da boate Kiss. Entenda, anunciar o fatídico é uma coisa, ter comoção generalizada, é outra bem diferente.

Será que somos todos Brasil depois do último jogo da seleção que levou a sua desclassificação da copa América? Será que somos todos Brasil com essa vontade de mudar de país pela quantidade de impostos e essa crise de desempregos? Será que somos todos Brasil com essa violência desenfreada?

Ninguém foi Brasil com a famosa derrota dos 7x1, ninguém foi mais Brasil com a votação do impeachment, ninguém foi mais Brasil quando retiraram os cobertores dos moradores de rua de São Paulo, enquanto os termômetros seguiam em temperaturas baixíssimas. Ao contrário, fomos menos e estamos menos.

Mas vejo pessoas extremamente sensibilizadas pelos atentados que ocorrem pelo mundo afora. Nas punições de outros países. Nos crimes de outras nacionalidades. O brasileiro é aquele sujeito solidário, que sabe ser um leão na rede social e um gatinho frente aos problemas sociais.

Não é colocar uma bandeira colorida em rede social e pensar que já deu sua contribuição social para a humanidade, sendo que aqui continuará sendo homofóbico e odiando os gays. Ninguém que ser da favela, do morro ou de um vilarejo. Ninguém que ser benevolente com vítimas do desabafamento da igreja evangélica.

Em ano de eleições percebo que levaremos mais rasteiras com essas atitudes. Enquanto não abandonarmos o pensamento mesquinho, e abraçar o plural, teremos muitas dores de cabeça.

Amigos, é fácil se convalescer com a dor do outro, contudo, precisamos ser mais Brasil, onde se mata negro, favelado, mulheres e crianças TODOS OS DIAS. É preciso se comover com a criança que pede esmola. O SUS mata TODOS OS DIAS pela falta de medicamentos e equipamentos básicos. O terrorismo aqui é ver pacientes jogados em corredor por falta de leitos.

Precisamos de “Pray for Brasil” e que isso venha do mundo inteiro.

Juliana Soledade

Crônica produzida para o Jornal A Região publicada no dia 18 de Junho de 2016.


*We are: somos todos (tradução livre)

*Pray for Brasil: Reze pelo Brasil (tradução livre)

2 de abril de 2016

Nós dois

A maioria dos casais não escolhe namorar quando se conhece, tampouco já dá o primeiro beijo pensando nos filhos resultantes daquele ato, ou depois da primeira conversa sai anunciando o pretendente como o marido/esposa até o fim dos dias.

Começamos a intuir que aquele investimento vai dar certo quando os sorrisos se entrelaçam numa conversa séria, quando os abraços são os mais desejados no meio de uma multidão, quando percebemos a frequência que os pés se unem à noite, quando temos prioridade em ser o primeiro "bom dia" e último "boa noite". A vida começa a ficar mais alegre, isso é fato.

Por mais que tivéssemos ambos saído de relacionamentos afirmando que passaríamos um longo período na estiagem, que daríamos um tempo desses namoros superficiais, que não queríamos tentar novamente ‘por agora’. Aí pimba!, acontece e pronto, as juras de solteirice caem por terra. Você já vai acordar pensando no príncipe que deveria ter chegado a cavalo, mas que chegou apenas com um olhar e para você está de bom tamanho.

É sempre muito curioso quando começam as apresentações desajeitadas sobre o novo ‘affair’: a mãe sempre diz que é para cuidar bem do bom rapaz; o pai sempre olha atravessado para a paixão da filha; a vizinha da avó fica agoniada para visitar a amiga e conhecer garota que chegou de mãos dadas; e se tiverem filhos de relacionamentos anteriores, é preciso sempre uma dose de cautela e cuidado, afinal o que antes era exclusivo passará a ser ‘dividido’. Mas a convivência se encarrega de mostrar que cada um tem o seu lugar organizado: o namorado da mamãe não chegou para substituir ninguém, e vice-versa.

O melhor de tudo é crer que, para o amor, assim como para a felicidade, não é preciso plateia, que a vida segue o seu curso normal sem tantas satisfações ao universo. Porque num mundo onde tudo é absurdamente virtual, faz bem viver esse amor de verdade, livres dos grilhões do destino.

No fundo, apesar das mutações afetivas do novo século, um relacionamento é acreditar que todos os mil parafusos serão ajustados ao longo da convivência, que teremos o colo para acolher, e uma história incrível para acreditar, apostar e viver como se fosse a última.

Juliana Soledade

Crônica produzida para o Jornal A Região publicado no dia 02 de Abril de 2016

19 de março de 2016

As estrelas vermelhas

A verdade veio a tona, vale-se lembrar que a verdade que eles negam juntos e piamente. Uma verdade comprovada e declarada aos quatro cantos do mundo. Sejam eles os grampos, as delações premiadas, os documentos de prova ou os cofres recheados de bens do ex-presidente.

Permita-me questionar se vale a desordem com o regresso? Não tão de repente, e não tão inesperado as estrelas vermelhas se juntam para celebrar o indigesto: uma marionete que sempre a favor do rei tropeçou à custa de sua proteção.
Por favor me apresente qual o brasileiro precisa simular uma ficção com tamanha realidade acontecendo no nosso país?

Entendam, a política é um jogo. O juiz Sérgio Moro apenas deu um xeque-mate, uma típica jogada de mestre. Apertou Lula, mas não o prendeu, mesmo tendo competência e possibilidades, preferiu grampear o telefone do barbudo e sepultar o mandato de Dilma. Uma jogada fantástica, o juiz assustou, prendeu os ‘amigos’, deixou apavorado, e solto o suficiente para que no seu desespero comprometesse os seus comparsas. Simples.

Quer compreender o quanto isso tem afetado as nossas vidas? Desde a prisão coercitiva de Lula o dólar que estava na casa dos R$4,10 chegou a R$3,58, a bolsa de valores teve um aumento considerável. Não importa se você quer comprar dólar ou não ou adquirir ações, importa que isso interfere diretamente no seu arroz e no seu feijão. E ele segue completamente instável com a posse de ministro suspensa. Isso é o Brasil reagindo a essa grave crise política.

Uma pesquisa realizada com 20 economistas e estrategistas mostraram que as variações das taxas de câmbio até o final do ano podem variar brutalmente, de R$2,50 a R$5,00, tudo depende da permanência da atual presidente no poder. E você daí achando que está tudo indo muito bem? Veja o preço do combustível, da energia, do mercado, da taxa de desempregos, de importações... Estamos em níveis assustadores.

O que mais assusta é que não sabemos quais são os próximos capítulos e qual o mal que isso pode ter para o coletivo. Estamos mais uma vez de pés e mãos atadas, apenas tendo o grito como uma força inimaginável. E apenas mais um favor, não use o argumento que temos o que merecemos, ninguém merece tanta sujeira, tanta corrupção. E isso independe de partido.


Política é um jogo, e Moro é um jogador espetacular.

Juliana Soledade

Crônica produzida para o Jornal A Região publicado no dia 19 de março de 2016

13 de fevereiro de 2016

Frutos do desejo

O desejo não amordaçado é aquele que te faz abandonar sua confortável cama, te leva ao aeroporto à compra de passagens de última da hora, a atravessar estados para compartilhar a pessoa almejada. E isso pode ser “na rua, na chuva ou numa casinha de sapê”, o importante dessa geração é não se limitar [e nem se reprimir] por qualquer motivo, tenha ele o tamanho que for.

O poder da realização de um desejo é tão potente quanto a Hiroshima e Nagasaki, não importando o que ou quem estará à frente. O desejo nos torna em verdadeiros cego-guerreiros; Sabe-se que estamos lutando e para o que estamos lutando, mas o meio pouco importa: convém cartão de crédito, milhas de companhia aérea, ou o bico no final de semana. O importante é o resultado final.

Estamos na magia dos sem-limites, nos anseios potencializados, no ‘eu quero, eu posso, eu consigo‘, sabe Deus como são as formas para a realização desses desejos desproporcionalmente ilimitados.

E não existe família, filho pequeno ou cônjuge enfermo. Meu amigo, quando se deseja alguém nem gravidez desejada segura o marido em casa. Tem o jogo de futebol com amigos, treino funcional sem uma gota de suor, o carro quebra e o guincho demora uma vida para chegar, tem celular tocando freneticamente, “oi amor, já estou chegando”, tem paciente com crise no pâncreas as duas da manha e vez ou outra o celular fica desligado, “estava sem sinal”, ou “acabou a bateria”.

Nas teorias indianas o desejo é definido como fonte do sofrimento humano, e também como a prisão da existência humana. Já o respeitado pensador da modernidade Bauman qualifica as relações afetivas da contemporaneidade como líquidas, ou ainda estamos imersos em tempos líquidos, e faz o maior sentido.

Estamos na compulsão da experiência sensorial que perdemos o sentido [e sentimento] dos acontecimentos. Estamos no efeito carnal de sonhos solidificados, materializados... E os nossos sonhos não estão mais em condições de inexecutáveis. Tudo é absurdamente possível!


Enquanto de um lado o poder do desejo é a rede moinho para intensificar as suas realizações, do outro impera a falta de racionalidade, mas até onde se vale ser racional? 

Juliana Soledade

Crônica produzida para o Jornal A Região publicado em 13 de Fevereiro de 2016.

5 de dezembro de 2015

O Impeachment e o Brasil


O Brasil no seu quarto mandato consecutivo no comando do PT, e diretamente abraçado por Lula, embarcou em um caos, uma anarquia instalada sem ter dia marcado para sair do abismo que estamos nos afundando.
Como numa falência múltipla de órgãos, sabemos que a oposição também não é capaz de marcar presença com um plano de governo sustentável. Não existe luz no fim do túnel. Enquanto de um lado um índice de popularidade baixíssimo e uma economia indo de mal a pior, do outro, participações em fraudes e pouca vontade de ser diferente, como se a grande maioria estivesse com o carimbo de corruptos profissionais.
Não me fale em eleição através de um processo “legitimo e democrático” quando não permitem que esse processo seja apurado e verificado abertamente. Ser democrático não é aceitar apenas o jogo que nos interessa, democracia tem regras, e precisamos aceitar o resultado final, por mais que não seja a nossa preferência.
Ser a favor do impeachment não é pedir que Aécio assuma a cadeira, muito menos exigir imediatamente uma nova eleição. Ser a favor do impeachment é declarar contrariedade às tantas omissões de irregularidades de uma presidente que foi escolhida para representar o povo. A possibilidade do impeachment é para tirar do poder aquele que de forma comprovada cometeu crimes de responsabilidade previstos na Constituição Federal e na Lei de Responsabilidade Fiscal. 
O processo não é simples, terá um longo caminho pela frente. Precisamos aguardar a continuidade ou o arquivamento do processo, para isso, votações desgastantes. E de acordo o artigo 79 da nossa Constituição Federal, quem vai assumir o cargo em caso de condenação, é o vice-presidente, Michel Temer.
Escutar um pronunciamento da Presidente afirmando que recebeu com indignação a decisão é no mínimo imaturo. Desde 2013 que pessoas vão as ruas, não para serem vistos como direita ou esquerda, mas sim uma multidão contra o sistema. Desde 2013 a voz do povo clamando por mudança. Porém não clamem pela prisão de Dilma, ela jamais poderá ser presa enquanto não for condenada criminalmente pelo STF.
Sabemos das tantas mentiras ditas na época das eleições: nos direitos dos trabalhadores que não seriam mexidos, nas tarifas que não seriam aumentadas brutalmente, na inflação do preço do combustível, dos juros, da energia. Ela, a presidente, prometeu o controle dos impostos e isso não entra no processo de impeachment.
Neste processo versa sobre questões fundamentadas: atos contra a improbidade administrativa; atos contra a lei orçamentária, a famosa pedalada fiscal que ganhou tanta repercussão esse ano; atos contra o cumprimento das leis e das decisões judiciais; e crime contra a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos. Nada além desses pedidos pode ser discutido neste momento. Sobre qualquer outra irregularidade, deverá ser aceito um novo impeachment.
Importante ressaltar, que enquanto Cunha autorizava o processo do impeachment em rede aberta, o sabido Congresso Nacional aprovava um projeto de Lei que permite o governo finalizar o ano com déficit no orçamento. Sabe o que isso significa? Que hoje este excesso de gastos está legalmente autorizado. E provavelmente, os jornais ainda discutirão por semanas sobre a possibilidade dessa legitimidade em ambos os processos.
É um fundamento a ser discutido no âmbito jurídico, moralmente falando, não há parcialidade naquele que autorizou o processo de impeachment. Cunha é um politico corrupto, interesseiro e mentiroso do nosso país. Parcialidade, sabemos que não há. Por outro lado, uma nação que estava aguardava ansiosamente este momento.
Quanto a nós, eleitores-cidadãos-contribuintes, é preciso ir às ruas, mostrar em massa as nossas manifestações populares, para quem sabe, provocar a renúncia de quem pouco nos favorece.
Apenas para resumir, nem Cunha, e muito menos Dilma estão na linha mais correta da politica. É como ver o ladrão querendo bancar o detetive. É como se politica fosse a arte da meia verdade conveniente.


 Crõnica produzida para o Jornal A Região publicado no dia 05 de Dezembro de 2015

21 de novembro de 2015

Acidentes ou tragédias?

Ao que parece 2015 será um ano marcado por grandes tragédias, e por pessoas querendo medir o tamanho de cada uma delas, culpando a ausência de proteção divina sobre atitudes irracionalmente humanas.  

No início do ano um avião destruiu primariamente 150 vidas, nos Alpes Franceses, consequentemente, muitas outras foram atingidas. Pais que perderam seus filhos, maridos que não deram o último beijo, filhos que não receberam o derradeiro abraço. E quem levou a culpa? Um piloto que foi diagnosticado com depressão e estava inapto para exercer a sua atividade, porém omitiu os fatos até quando conseguiu.

O terremoto no Nepal matou nove mil pessoas, e deixou mais de vinte e três mil feridos. E muitos se perguntaram, onde estavam todos os deuses do hinduísmo que não evitaram tamanha tragédia? Provavelmente estavam onde sempre estiveram.

Em seguida aquela imagem angustiante do menino sírio de três anos de idade que morreu afogado ainda permeia a nossa memória, ali era apenas a pequena mostra dos tantos barcos em condições nada convenientes que deixavam países do Oriente médio e da África, de centenas de refugiados não chegaram ao seu destino.

A vingança destilada de ódio em nome de Allah, neste ano, começou na França com o massacre no jornal sátiro francês. E seguiu em nome do fanatismo durante todo o ano. E eu penso: quantos inocentes sacrificam suas vidas, sem terem outra escolha?

O rompimento dos rejeitos de mineração em Mariana/MG causou uma das maiores catástrofes ambiental do país e sabe que paga a conta? Isso mesmo... eu, você, seu pai, seu vizinho. Mas a nossa conta é bem pequena, a tarifa maior é de quem não tem água, não tem comida, de quem teve a sua casa arrastada, de quem perdeu a vida, dos animais que estão morrendo, da flora. A pior conta mesmo é do Rio doce que não foi poluído, o Rio doce não existe mais. E ‘zefini’.

A Chapada Diamantina está se acabando em chamas, supostamente criminosa. E por conhecer aquela região, eu me pergunto: como alguém pode destruir essa preciosidade? 

Eu tenho medo desse mar de lama que assola nossas vidas, enquanto pessoas digladiam nas redes com: “medir dor”, “competição de tragédia”. Não percebem a grandiosidade disso tudo. Serão pessoas tentando se refazer por décadas por cada uma dessas catástrofes. Serão animais extintos, leitos de rios que nunca mais serão os mesmos, famílias que se acabaram. É algo que afeta e atinge a TODOS, em diversas esferas. Estamos dispostos num rastro de terror e desespero, todos os dias.

O mais deprimente é que aqueles que se mostraram sensibilizados por Paris ou Mariana, pouquíssimos transformaram isso em atos ou atitudes. Gestos virtuais são apenas para ‘inglês ver’, mas mesmo assim culpam Deus, que nem na tragédia do Éden pôde atentar contra a liberdade da criatura.

Juliana Soledade

Crônica produzida para o Jornal A Região, publicada no dia 21 de Novembro de 2015. 

19 de setembro de 2015

A blindagem da presidente

Trocar o discurso no desfile de sete de setembro por uma mensagem na internet foi uma das inúmeras bizarrices de nossa presidente. Não satisfeita, fechou o desfile com um muro de aço e se manteve a quilômetros de distância do povo que elegeu. Dada a palavra para início do desfile, vaias intermináveis.

Custei a acreditar que o dever cívico que sempre se vestiu de verde e amarelo, passou para a vergonha escancarada adornada de preto. Como numa via de mão dupla, perdemos o respeito e ridicularizamos uma figura pública que representa a nação. Passamos a protestar pela água, pela comida e pela dor alheia. Criminalizamos o sistema.

Após as eleições, as promessas são de aumento de impostos e serviços básicos, diferente do período eleitoral, onde o fantástico mundo de Alice no país das maravilhas parecia alcançável, hoje o cumprimento das juras são realidades pesarosas, como uma penitência violenta.

Dilma provou que a vaca pode tossir, penalizando a classe trabalhadora e diminuindo os direitos que foram garantidos por anos de luta, inclusive pelo partido militante que ela representa.

Articulações maquiavélicas contra o povo, para suprir um rombo gigantesco que beneficiou poucos escolhidos. Delações premiadas que tiranizam com capacidade intelectual de muitos.

Das três notícias da semana que assombram: a suspensão de concursos públicos, congelamento do ajuste dos servidores e a sugestão da nova CPMF, em contrapartida, carros luxuosos são substituídos no Senado. Se a esperteza é crucificada, na política é requisito obrigatório.

A moeda nacional desvalorizada, as obras do PAC são suspensas, cortes nas mil e umas bolsas do governo. A gasolina só aumenta, a bandeira continua vermelha na conta de luz, contenção no FIES e tem greve em diversos setores. É, meus caros, a travessia será longa, já que até o gás não aguentou a pressão.

Como num jogo de xadrez, os peões já caíram, cavalos, bispos e torres são derrubados lentamente, restando apenas à rainha para proteger a sua majestade. Como no tabuleiro, o rei está em xeque.

A política brasileira abandonou os conceitos de Bobbio, deixando de ser do povo, para o bolso. Enriquecimento ilícito e maracutaias ilimitadas. O melhor eu não garanto, mas o pior vem a galope.

Juliana Soledade

Crônica produzida para o Jornal A Região, do dia 19 de Setembro de 2015.

5 de junho de 2015

23 de abril de 2015

Desatino

Meu Querido Don Juan,

Vivemos em reinos e irmandades proibidas, contracenando em vidas que não nossas. Sou o transbordamento de minhas confusões e preciso que ajude a definir a cor da minha pele, o gosto do meu sorriso, o sabor do meu suor, as minhas características tão abandonadas.

Você é a minha primavera colorida que dissipou o invernou sombrio, e apagou o fogaréu do infernal mundo de Dante. Agora é hora de reconstruirmos a nossas vidas. Quero oferecer um hoje certo para ser o nosso sempre, assim o nosso amor será sempre certeza, desejo, espera e compreensões, sem tempo definido, respeitando o nosso ciclo de vida.

Em seus braços não me sinto ameaçada ou lutando incessantemente contra aqueles moinhos de vento de D. Quixote. Contigo eu tenho o exílio e o descompasso da minha respiração. Em ti eu tenho a melhor visão de mim mesma.

De repente eu mergulho num mar de ousadia, apressadamente me visto como uma dama a ser desejada. Uma ansiedade que fazia meu coração saltar pela garganta. Admirei-me no espelho, munida do melhor vestido decotado, um perfume atraente e com joias em seu devido lugar, completamente pronta para lhe encontrar de surpresa. Partilhar um pouco do seu mundo, que parece tão impossível.

Eu imaginei mil maneiras de abordá-lo, todas pareciam ridículas. Por segurança fiz um bilhete no guardanapo, mas quando ouvi sua voz meu coração sacolejou feito escola de samba em dia de carnaval. Inconsequentemente fui ao seu encontro, gostaria que visse a sua cara de espanto quando me viu frente a frente! Mal nos falamos. Um cumprimento formal e sucinto, digno de quem estava acompanhado.

Eu, revestida de egoísmo, nem imaginei que poderia causar constrangimentos. Elegante e distinto tomou o papel de minhas mãos. Nossos olhares se encontraram em todos os lapsos de trégua. Não havia mais nada a fazer, a não ser aguardar que me telefonasse.

Mal pude acreditar que em poucas horas poderia me derramar em você numa terra tão distante. As fronteiras racionais foram atiradas. Tínhamos urgência de amor. Ousamos sem arrependimento para nos amar loucamente até a exaustão. Degustei cada pedaço do seu corpo, mergulhei fundo em meus delírios e adormecemos agarrados feitos um. Uma viagem incrível para resgatar as minhas forças perdidas.

Até o próximo desatino,
Stella,



17 de abril de 2015

Para Vovô


Itabuna, 17 de Abril de 2015

De repente o jardineiro passa com a tesoura e leva todas as minhas forças. A segunda quinzena de abril tem esse poder. Parece que vou perder a seiva e com ela todas as minhas energias se esvaziam. Seca por dentro a ponto de achar que é irremediável, somente na lembrança do seu olhar, nas suas palavras, no seu rosto sereno e no seu coração é que faz meus ‘brotos’ começarem a reviver novamente. Assim, abandono espaços vazios de solidão e passo a abrigar outra vez a luz da esperança.

Quantas vezes foi a minha terapia natural? Digamos que era a minha homeopatia, a erva-cheiro. Contigo Vô, me sentia a vontade para falar até do desequilíbrio. Era como prender o trapézio, recolher todas as redes, e conseguir com equilíbrio e paz atravessar o longo fio sem cair. O senhor era assim, esse fio condutor, sujeito de travessias e alegrias.

A dor da perda me cegou com o egoísmo, aquilo que antes só transformava em lamento, hoje transmuto para a gratidão dos 21 anos compartilhados inteiramente ao seu lado, bebendo de um amor delicado e protetivo, desses que somente pai com açúcar pode oferecer.

Agora mais lucida do que noutros anos, a alma não está mais em frangalhos, e já não tenho mais um mar de dúvidas me assolando, o meu céu permanece azul quando elevo os meus pensamentos e percebo que a morte foi apenas uma passagem. Estaremos juntos na eternidade e caminharemos serelepes em outras dimensões.

O fato de ter encarado terapias, ter despido a minha alma e revelar além das máscaras a Juliana que chora, que é fraca e tem muitos medos, me assustou. Apresentar esse mundo ao analista me causou desconforto. Mas eu precisava me sentir inteira outra vez, e como me dizia, “a verdade, mesmo que doa, acaba curando”. E ela me curou.

Daqui, bem distante, eu fico com as lembranças e a certeza do amor sem fronteiras que partilhamos.


Juliana

13 de abril de 2015

Da entrega ao fim

Meu amado,

Possivelmente essa carta jamais chegue até suas mãos, mas caso atravesse os seus dedos é porque tinha que ser. Era preciso que você soubesse o que penso sobre a vida, sobre os encontros, sobre nós e os tantos desencontros, aquele que perdemos, ou o que tivemos. O quanto amamos sem rotular amor, e pior sem verdadeiramente viver esse amor de maneira completa e plena. Fizemos um bem mútuo, guardamos segredos por anos, do pouco e do tão intenso que partilhamos, mas tudo tão excepcional que valeu por toda a vida.

Mesmo aquilo que não vivemos, mas desejamos intensamente, tateamos ou sentimos, acabamos vivendo, mesmo que tenham sido em vidas completamente distintas e distantes. Aprendemos em outros mundos, sem qualquer percepção de nossos companheiros. Não quero que se amargure por isso, você foi o melhor dos impossíveis para mim. Um completo tesouro de afetos, que mal cabia em mim de tão precioso.

O que nos limitou foi uma vida limitada as nossas intensidades, contudo, vibrante a cada mensagem trocada. Éramos obrigados a registrar os olhares que não pudemos contemporizar, as vivencias que tínhamos prometidos, mas que escaparam como água entre nossos dedos. Senti falta de tatear seu corpo nas noites frias, falta do calor do beijo e do abraço, do toque tão másculo que me fez sentir viva, do diálogo sadio e produtivo, do riso farto e apaixonante e das 
suas memórias serenas que partilhou comigo.

Meu amor, vivemos sempre em vidas paralelas, mas amamos todos os nossos segundos dedicados um ao outro, somos mestres na entrega. Fizemos do nosso amor uma arte deliciosa, brotou com um simples toque e nunca se decifrou, quase que impossível ele se sustentou por anos com a mesma intensidade da primeira troca de olhares. Nos amamos com a grandeza de adultos conscientes.

Você foi tão atinado, permitiu que eu fosse sempre eu mesma. Soube derramar o seu amor e desejo sem nunca depender de mim, nunca se submeteu aos meus caprichos e nunca foi bajulador. Compreensivo e sem críticas, ao contrário, sempre tão incentivador. Tínhamos um lugar no espaço e no tempo de nosso sentimento e de emoção. Renunciei amores e tive a coragem de sofrer por minha decisão.

Querido, você foi um grande amor. Uma entrega completa em nossos encontros. Como a música ‘Elegante, fino e sincero’, sempre se destacou assim e foi a minha melhor poesia na figura de humana. Eu era o gesto, o barulho, a mulher completa, como chamada por você ‘do despojamento à sofisticação’. Uma relação integral. E por mais que tente definir quem fomos e somos, jamais conseguiria, éramos caviar, rapadura, música clássica ou rock, salsa ou bolero, terra e ar, água e fogo, éramos adaptáveis. Embora tão ambíguos, fomos paz, sem variações.

Pensar em te deixar me dói muito. Só de pensar fico aterrorizada. Mas, a vida, de repente ficou muito preciosa a ponto de continuar presa como uma terceira pessoa nessa relação. Abandonar um relacionamento que sempre foi um empate de afetos, nenhum dos dois amava demais, ou se entregava demais, fomos iguais, inteiros. Recebíamos amor diariamente, e expressávamos sempre com a mais louca intensidade em nossos encontros.

Peço que não mude jamais, seja da grande aventura à doce ventura. Ame quem o entenda, e quem mereça você quando eu terminar esta carta. Quero vê-lo feliz. Tenha sempre um segredo, assim como o nosso. Preserve essa mágica que abandona medos ou convicções. Cultive os momentos e a simplicidade. As lembranças são como um afago em nossa memória.

Não se lamente, mas reze por mim, para que eu me mantenha em paz. Tente com as suas forças fazer isso sem me procurar, necessito me desligar de você. Vivi intimamente emaranhada aos seus afetos. Agora é hora de acenar adeus. Preciso viver o próximo tempo na intensidade de um ciclone, sem me autodestruir. Acorde querido, o sonho está acabando, apesar de querer continuar sonhando em braços, eu não posso mais.

Seja você e seja feliz, aceite suas dores e tenha fé. Ame, como te amei em todos os dias. Preciso que entenda que esta carta é apenas uma memória em homenagem ao nosso amor. Escrevo apressadamente porque caso desapareça, posso não surgir novamente tão cedo.  


Guardo você aqui, bem no centro.



Márcia

9 de abril de 2015

Para Maria 6

Hoje fui acordada com um beijo no rosto e um afago na cabeça, uma maneira apaixonante de desejar ‘bom dia’. Os olhos marejados de quem avançou a madrugada, os cabelos desengrenhados e a voz rouca nas primeiras horas da manhã não foram empecilhos para os elogios conferidos: - Você está linda, mamãe!

Apesar da necessidade de iniciar o dia com as atividades diárias e corriqueiras, nada fiz a não serajustar a princesa de quase um metro e quarenta centímetros no colo e dedilhar em seu corpo as melhores poesias que uma mãe pode ofertar a sua filha. Quando disse que só tinha amor a oferecer, ela respondeu: - Isso é tudo, mamãe. Suficiente.

Quando imaginei que as surpresas de uma quinta-feira chuvosa haviam acabado, ela surge novamente no início da tarde, retira um livro da prateleira da biblioteca e leva para o ballet, disse que leria no intervalo de uma aula para a outra. Não dei créditos a essa iniciativa, mas desejei boa sorte na leitura, mas sou uma tolinha elevada à décima potência, Maria não só leu como me apresentou o resumo do livro com uma letra redondinha e um sorriso estampado no rosto . Atitudes memoráveis e delicadas de uma menina de oito anos de idade. 

Faço esses escritos ao fundo da folha do resumo do livro, apenas para atestar [e registrar] o quanto essa menina me orgulha. Maria me refaz todos os dias e permite a possibilidade de enxergar o mundo com outros olhos, àquele que por vezes se faz esquecidos debaixo do travesseiro; os olhos do amor, do companheirismo, e da fidelidade.

Sim, sou a mãe mais babona que existe por aí.


Itabuna, 9 de Abril de 2015



4 de abril de 2015

Adeus necessário

Querido,
Eu não sei mais em qual rio você navega, ou qual a dor do seu playlist. Não sei se a calça anda combinando com a camisa, ou o cinto com o sapato. Não sei se ainda continua com aquela mania de obrigar que o outro se cale com a sua última palavra. Não me importa mais a falta das noções gerais de assuntos simples. Não me faz diferença se é apenas um disfarce ou a mentira travestida de homem. Não me interessa mais, desde o nosso primeiro e último adeus.
E, por mais que digam que quem perdeu foi você, acredite, quem perdeu fomos nós. Perdemos a oportunidade de ter evitado o encontro de o primeiro olhar, o calor do primeiro beijo. Perdemos a possibilidade de calar ao invés de sussurrar as inúmeras juras de amor, nunca cumpridas por ambos os lados. Perdemos um valioso tempo sucumbindo medos e anseios. Perdemos a nossa real necessidade de permitir a aurora com quem de fato amamos.
Confesso que nunca havia desfeito de nenhuma lembrança de outros relacionamentos, diferente do nosso, em que eu tive a necessidade de abandonar tudo numa encruzilhada, apenas para esquecer todo o sofrimento que passei ao seu lado. Picotei e queimei as fotos. Apaguei e bloqueei o seu número da agenda. Desfiz a amizade nas redes sociais. E criei um filtro sobre você, é como se nunca tivesse existido.
E nesse desespero todo, eu assumo, estou liberta. Ainda bem que existe branco e preto para disfarçar esses dias transfigurado de chuva. Escrevo apenas para atestar o quanto me fez mal e afirmar que a paz voltou a fazer as pazes comigo.
Um adeus necessário de quem nunca te amou,
Janaína

29 de março de 2015

Lançamento em Salvador

Meu modesto e desprentioso livro alcançou um patamar ainda maior do que eu imaginava, ele não só me traz alegrias especiais e diferenciadas, mas como também consegue reunir pessoas da melhor estirpe num só local.
Aconteceu nessa sexta-feira, dia 27, o lançamento do meu livro na capital baiana, Salvador. E entre as felicidades distintas desse momento, não posso deixar jamais de mencionar a maior de todas as felicidades: a possibilidade de unir numa só livraria e coração a família que a vida me presenteou. Em seguida, os gestos de afeto concedidos, as flores perfumadas, o carinho exalado, e o reconhecimento em cada pedido afetuoso de autógrafo.
Poderia ser como todos os outros lançamentos, mas não, não foi. Precisamente nesse eu tive a maior certeza de que estou no caminho certo, e que a cada sussurro no ouvido junto com o abraço era um desejo que vinha da alma, e sim conectava diretamente com os meus anseios e vontades.
Eu sempre faço questão de afirmar e atestar o quanto a literatura me faz alcançar outros patamares, outras vivências e permanências num universo estonteante, ‘onde palavras sonhos e devaneios não têm limites’.
É com o coração transbordando de gratidão que eu agradeço a livraria lotadíssima, aos escritores presentes, a Editora Mondrongo pela organização do lançamento, e sem sombra de dúvidas, a cada familiar, amigo e leitor que não mediu esforços para prestigiar.
A vida é feliz comigo, obrigada!
Fotografia: Milena Palladino

23 de março de 2015

Save the date!!

Nosso próximo encontro será em Salvador para distribuir carinho e literatura com aquele jeitinho irreverente que vocês já conhecem! 
Ansiosa para um encontro acalorado entre os meus. 
Vem ser feliz comigo!



2 de março de 2015

Gerais de Minas


Era diante a paisagem de montanhosa de Minas Gerais que os passos se reencontraram. Uma marcha dedilhada na entrega e sensatez. Alguns meses de programação, uma troca incessante de mensagens virtuais, além das fotos sensuais compartilhadas, um desejo desmedido para a consumação de toda a rendição prometida.

Homem e mulher aquecidos por uma atração alimentada 
diariamente. Sem resistência ao arrebatamento, sem cordas e sem amarras. Uma tentação coberta de apego e ambição unida a um único propósito: provocar o derramamento de sonhos na realidade.

Ela uma verdadeira mina de lascívia, ele a personificação da libido. Um encaixe perfeito para tamanho anseio. Para espumante eles sabiam ser sede. Para o sangue correndo desesperadamente entre as veias eram prazer. A excitação tinha nome, rostos, corpos, somente dois egoístas conseguiam enxergar tudo isso.

No corpo completamente nu, ela dançava em chamas. Um comichão de atitudes desritmadas, uma predileção de vontades próprias. Tudo ganhava nome, a ortografia bailava junto do vai-e-vem progressivo. Beijos e desejos. Sexo e prazer. Rendição e febre. Luxúria e gozo. Uma dedicação mútua de entrega.

Nas montanhas todo esse querer era como um poço sem fundo, onde sabiam mergulhar de cabeça. Todo o resto aqui não existe apenas ilusão ainda cutuca os ombros de ambos.

Ele que com um tiro certeiro de cupido atingiu o local exato: o coração. Nada mais foi como antes. E agora, fruto de lembranças insaciáveis, questionam-se: 

- Como pode haver vida depois do amor? 

Juliana Soledade

16 de dezembro de 2014

Para Maria

Não sabia como era segurar um recém-nascido no colo quando engravidei de minha menina. Não sabia me portar como uma grávida; não ia às filas preferenciais, não me incomodava com a barriga. Não sabia dos cuidados pré e pós-parto. Não dei importância aos internamentos emergenciais. Não sabia da importância de fazer um bebê arrotar após a mamada. Pior, não sabia nem como dar de mamar. Não sabia fazê-la dormir, o que me fez te levar no hospital aos berros.
Não me preparei psicologicamente para engravidar. Não esperei a hora, fiz a hora acontecer despreparadamente. Não descansei no dia em que nasceu por não poder permanecer ao meu lado. Desmaiei e quase morri de emoção quando a vi pela primeira vez, mobilizei médico e enfermeiros, enlouqueci a família.
Eu apenas era uma menina com 17 anos que pensava que filho não crescia. Uma menina que trocou a preocupação dos estudos com a de ninar uma princesa. De fazê-la suportar as batalhas necessárias de um início de vida como quem carrega maço de algodões.
Apresentei a vida e a morte, amores e desafetos. Apresentei o casamento e o divórcio. Apresentei o peso da dor e a leveza da alegria. Segurei-te no medo, mesmo estando com mais medo que você. Inúmeras vezes determinei que fosse forte, enquanto fragilizada escondia meus anseios. Dos momentos que estendi o meu braço e colhemos sangue juntas, apenas para lhe dar apoio. Escondi algumas lágrimas, outras te fiz beber do mesmo sofrimento.

Brindamos sorrisos, viagens, passagens, cafuné, sonhos, e diversas realizações. Anunciamos partidas, comemoramos chegadas. Dividimos travesseiros, cobertas e escovas. Emprestei minhas canetas para ver escrever com essa letra redondinha. Ensinei a ler e hoje anda palpitando sobre os livros da biblioteca. Calça meus sapatos de salto alto, põe colar, anel, passa batom, segura o celular numa mão, noutra a bolsa, apenas para reproduzir a mãe cheia de tarefas. Já chorei por não terem me concedido o direito de falar contigo ao telefone estando a milhares de quilômetros longe de você.
E hoje, minha pequena, quando te vejo cheia de planos e de responsabilidade, enalteço. Ver-te menina-bailarina, que me fez aprender a costurar as meias-calças na marra, a cuidar de cada uma das bolhas ou machucados que me apresenta, que me pede escalda-pés depois de um dia intenso de treinos. A mãe que se vira, pinta os sete mais que você só para te proporcionar as realização dos seus sonhos, uma mãe desvairada que chora, toma as dores e luta incessantemente pela razão e pelo seu bem, que é capaz de subir no mesmo palco que você para ajustar os canhões de luz em sua direção e vê-la brilhar.
Aprendi a ser pai, concedi o direito a outros de serem pais, sou mãe aos tropeços, por vezes irmã, na maioria dos momentos amiga. Sempre unidas, como se o cordão umbilical ainda estivesse ligado, mas hoje quem depende do alimento sou eu.
Confesso que rememorar é como tivesse ligado a máquina do tempo, e entre tantas variações de estágios pudemos partilhar de um elo que atrai distintamente, não somente é o sangue, é o amor.
Te amo minha sempre Maria.



Verão, 16 de Dezembro de 2014

22 de outubro de 2014

Estranhos


Ele estava sob os holofotes, é verdade, mas piscou para ela, e permaneciam os olhares naquela jovem. Ela não imaginava o que seria passar mais dez minutos de sua vida sem aquele olhar, mas deu de ombros, meio desajeitada, não sabendo como lidar com essa situação.

O mundo estava entregando todas as chances para futuro esperado, o chão abria, revelando delicadezas logo adiante. Como se estivesse criando passagens para o caminho que desejava percorrer, não antes de marcar um novo encontro com a carta atirada atrás da porta.

Ele olhava para ela com olhos que a tirava de sua perspectiva e a levava para onde a música fazia parte da conversa, da caminhada e até da respiração. Não eram abreviações de seus destinos, e sim, palavras completas, que necessitavam de saliva. As únicas palavras ditas eram promessas doces de um mundo só dos dois. O sorriso dela conhece uma felicidade que ele deseja intensamente. 

Abandonaram a solidão, o preço mais cruel dos venenos e agarram lentamente ao que não respeita as razões, o amor. Dois corpos nus que dançavam em chamas, como se a eternidade fossem deles. E nesta noite, foram entregas dos seus desejos, das suas vontades, como lobos uivando na madrugada, era o ruído do mundo. Fizeram do desejo uma muleta, em constante necessidade de carregá-lo para onde for. 

O encontro dos dois sempre se revela como uma granava com o pino solto, fechando os olhos isolavam-se do mundo caótico, e se transportavam para aquele que queriam ver, normalmente, onde poderiam estourar a granada e serem explosões de seus corpos em brasas.

Não tinham como fugir daquilo que desejavam, a vida generosamente os colocava frente a frente. Não sabiam se o amor surge de repente, mas estavam abertos para ele, assim, prontos, inteiros, sedentos. Não importavam armadilhas, não enxergavam desconexões. O amor sempre sussurrava aos ouvidos. 

Estacionaram num único dilema, naquele em que se agarra e desvela nas repetitivas noites, rodeados do correr da vida. Não se poderia buscar o mais abstrato para perceber dois apaixonados. Uma pureza na necessidade de compreender o paradoxo entre o tempo que não para de fluir e uma sucessão de instantes variados com interrupções temporais que compõe o destino de ambos.

Primavera, 21 de outubro de 2014.

15 de setembro de 2014

Lançamento do Livro 'Despedidas de Mim' em Curitiba

Em parceria com a Livraria Curitiba, realizei o lançamento no parkShopping Barigui. Em uma terra notavelmente muito fria me apoderei da possibilidade de reunir pessoas maravilhosas para um bate-papo e sessão de autógrafo extremamente quente e contagiante.

A cada momento que apresento o meu trabalho, forma de criação, desenvolvimento, e finalização, sou presenteada por boas sensações e lembranças surpreendentes. Em Curitiba tive a oportunidade de mostrar a ‘menina que escreve’, aquela que por vezes se esconde em letras miúdas, a ‘menina’ que vive pelo mundo afora como se fosse seu e o carinho foi demonstrado pelos presentes da forma mais humana possível.
A recepção ofertada pelo vendedor Carlos, o funcionário Gerson, o gerente Júlio e toda a organização da equipe da Livraria me trouxe uma segurança enorme para que esse lançamento fosse um sucesso, e de fato foi, inesquecível.

As fotos são de Flávia Antunes e a Maquiagem é da talentosíssima Gaby Mozer.