Bacharel de Direito, estudante de Teologia, pós graduanda de Direito, escritora, empresária e blogueira. Quase mulher, quase gente, quase anjo, quase santa. Apaixonada por nuvens e mar. Nem muito doce e nem tanto amarga. Feita de carne, osso, pele, cor e poema.

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28 de julho de 2015

La no jornal...


Hoje é um dia que eu abracei com graça e leveza, paixão e coragem. O dia do escritor não poderia ser mais bacana. Eu e o Jornal A região firmamos uma parceira de sucesso, semanalmente terá crônicas e contos estampados nesse jornal. 

Corre, pega o seu na banca e aproveita o que tem por lá!


17 de fevereiro de 2014

Em tempos de guerra



"E quando eu peço proteção
Não é pra fugir do ladrão
Nem pra me esconder na igreja
Eu quero é que deus nos proteja"


Confortavelmente e protegida em meu leito, mas nas ruas uma guerra fria, com sangue, fogo e selvageria. Me parece que estamos tão magoado ou envoltos de uma fúria interna tão agigantada que não nos basta apenas lamentar-se com os amigos nas redes sociais, ou protocolar uma reclamação nos órgãos responsáveis. A realidade agora se encaixa em definições terroristas.

Em um raio de 50 km, somos alvos das piores mazelas, castigados diariamente com surpreendentes noticias de fins trágicos e mínimas divulgações positivas sobre o bem comum (se é que conseguimos pensar nisso).

A implacável batalha entre supostos índios, agricultores, moradores, mortos e o derramamento contínuo de sangue, bens, impérios e trabalhadores. Os diários crimes bárbaros, seja com uma criança de 4 anos sendo assassinada brutalmente em seu leito, ou por um assaltante sendo morto em via pública por policial a paisana e populares calorosamente agradecendo pelo gesto de justiça, ou talvez, por um menino de apenas 13 anos que munido de um moto de 125 cc, furou o bloqueio de uma blitz e em perseguição, pasmem, a vida foi ceifada por uma fatalidade.

Esses são apenas três dos casos constantes presenciados, alguns se vão por drogas, outros por vaidade, outros nem sabem o motivo e de que lado se encontram nesse combate. Aos poucos, esse conflito atravessa dimensões e propõem-se estarem além do raio A ou B.

Dispomos do ódio voraz, da partilha de sentimentos negativos - e tão vingativos - que sequer estamos nos dando conta do encontro do nosso destino, um neo anarquismo descomedido, transformado o futuro primitivo, ao tentar pagar na mesma moeda.

O governo anda mal, lamentamos. As vias públicas esburacadas, queixamos. Presenciamos violência, nos recolhemos. A saúde pede socorro, entristecemos. Abandonamos de forma sucinta nossos hábitos culturais, nossos momentos na praça com um sorvete na mão. 

Com tudo isso, apenas cresce a nossa sede de vingança, com uma desconstrução moral e física. Um governo que direciona os seus holofotes para a Copa, eleições e empreendimentos internacionais e esquece: a educação castigada, saúde violentada e a segurança maltratada.

Como fingir que tudo anda bem com o Exército, Força Nacional, comando especial da Polícia Federal, Militar e Civil, helicóptero, manifestações dos meios mais violentos possíveis? 

Lulu Santos diria: "Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade...", Renato Russo bradaria "Quem pensa por si só é livre e ser livre é coisa muito séria", Caetano Veloso, sairia "Sem lenço, sem documento, nada no bolso ou nas mãos, eu quero seguir vivendo.."

Estamos numa verdadeira sociedade do medo. Alguns estão a dois passos do paraíso, nós estamos a um passo da hostilidade.

Reina-se então, a treva, e aos poucos, a ruína.

"Quem não quiser sofrer, que se isole" - Fernando Pessoa

Juliana Soledade

8 de outubro de 2013

O retorno do comércio informal

Inúmeras irregularidades cercam o comércio informal, desde a utilização imprópria do espaço público, passando pela falta de procedência de diversos tipos de mercadorias, até as condições precárias de trabalho.

É comum perceber, por exemplo, a Avenida do Cinquentenário e suas transversais atravancadas, bem como as calçadas e vagas de carros ocupadas com o famoso ‘camelô’, sem limite de área. A propósito, a ocupação irregular é um transtorno que prejudica o pedestre, que por vezes precisa trafegar pelas vias, expondo-se ao risco de atropelamento; ou ainda, o acúmulo de pessoas, favorecendo a ação de marginais em furtos ou assaltos.

Não fossem suficientes os entraves, há que se perceber que os ambulantes formam uma barreira visual para as lojas instaladas ao longo do comércio, inibindo a visualização das vitrines e aniquilando a sedução do consumidor, gerando insatisfações no faturamento mensal.

Importante notar que, justamente em função da irregularidade, não existe padronização: a disposição desalinhada e desorganizada, juntamente com o material precário e potencialmente inflamável das barracas torna o ambiente não só deselegante e desagradável aos olhos, levando em conta que não há tantos bons locais para admirar em nossa cidade; mas, principalmente, oferecendo riscos aos transeuntes, aos estabelecimentos regulares, e aos próprios ambulantes.

A despeito da pressão exercida por aqueles que suportam as altas cargas tributárias para se manter em funcionamento, pouco se tem visto em termos de repressão ou mobilização do governo municipal para solucionar essa problemática. Os poderes constituídos “fecham os olhos” para o assunto, especialmente quando se trata de prevenção à pirataria.

Não se pode olvidar, ainda, que o binômio inércia do poder público e incapacidade de aproveitamento da mão de obra disponível, é uma das causas desse incremento do número de comerciantes informais. 

Ora, em sua maioria, aqueles os que optam pela informalidade estão galgando um retorno imediato, com o intuito de garantir a sua subsistência, e para isso lançam mão de sistema de defesa apurado, oferecendo resistência às mudanças.

É certo que deve ser destinado um novo local de trabalho digno para estes ambulantes, na companhia de regras claras, estrutura adequada, segurança, condições relevantes de trabalho, infraestrutura, entre tantos outros elementos que devem ser analisados e colocados em prática para o bem comum; afinal, não se pode privilegiar em demasia uma parcela de comerciantes, em detrimento de uma massa que se mantém regular, arcando com a pesada carga tributária e trabalhista.

O governo não pode e não deve manter-se com a venda nos olhos. É necessário reacender a bandeira da esperança, para nós, itabunenses desacreditados com tantos desmandos.

Juliana Soledade é estudante de Direito.
Publicação autorizada: www.pimenta.blog.br/2013/10/07/o-retorno-do-comercio-informal/