Bacharel de Direito, estudante de Teologia, pós graduanda de Direito, escritora, empresária e blogueira. Quase mulher, quase gente, quase anjo, quase santa. Apaixonada por nuvens e mar. Nem muito doce e nem tanto amarga. Feita de carne, osso, pele, cor e poema.

21 de maio de 2016

A beleza da vida

Perfeição, nada mais do que isso. Ter uma boa companhia não é fácil de encontrar, unir com paisagens sempre se desdobram como deliciosas cartas no baralho. O riso funciona com regularidade. O equilíbrio de energias, a inspiração e expiração também.

Limpa e bela era a praia, não havia sujeira de humanos mal criados, ou atendimento ruim no restaurante, que apesar da conta salgada, valia-se a pena desfrutar da graciosidade do bom serviço.

Uma caminhada frente às águas transparentes que refletidas no céu transformavam-se em um azul encantado, decorando o mar apenas alguns barcos ultra luxuosos. O sol pronto para nos deixar coradas e cansadas o suficiente para esperar a próxima novidade (ou vista) da vida.

Era horrível um final de semana em Trancoso, sobretudo a hora do adeus. Uma imparcialidade desumana. Uma vista contrastada com o paraíso. Dentro do meu bem-estar físico, psíquico fiquei arrasada, melhor, ficamos arrasadas. Como abandonar tudo aquilo, uma típica vidinha de madame e tornar a vida profissional em questão de horas?

Diante da praia dos amores ou da praia do espelho, eu não tinha nada a fazer, nem pensar, nem sofrer. É como se sonhasse com os olhos abertos e esse mesmo sonho fosse real. O bater de ondas era sinfonia para as nossas conversas, a única testemunha de nossas confissões e diálogos, esquecendo os naufrágios e assinando calmaria em cada passo, cada foto, cada símbolo, cada lembrança gerada.

O domingo quando se aquietou foi capaz de deixar lágrimas, o perfume do verão e uma penumbra antes do regresso. Acabou doendo até os ossos o momento do adeus. Dentro de um conforto absoluto em desfrutar uma presença tão desejada era capaz de sentir um ligeiro sofrimento à demora de alguns meses para outro reencontro. Graças que ele sempre chegava, e se reinventava para cultivar reminiscências e apontamentos, fotografias e registros. Tudo tão genuíno, sem firulas ou frescuras.


Realmente, ter uma boa companhia é o mesmo de ter boas viagens, bons momentos e excelentes risadas. É contar os dias para o próximo encontro, é fazer as malas e embarcar sabendo que nunca retornaremos da mesma maneira, sempre com algumas dúvidas e outras respostas, com alguns inícios e outros fins, insistindo vez ou outra a abrir a janela do recomeçar.

Juliana Soledade

Crônica produzida para o Jornal A Região publicado no dia 21 de Maio de 2016

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