Bacharel de Direito, estudante de Teologia, pós graduanda de Direito, escritora, empresária e blogueira. Quase mulher, quase gente, quase anjo, quase santa. Apaixonada por nuvens e mar. Nem muito doce e nem tanto amarga. Feita de carne, osso, pele, cor e poema.

22 de fevereiro de 2016

Em tempos de guerra 2

"E quando eu peço proteção
Não é pra fugir do ladrão
Nem pra me esconder na igreja
Eu quero é que deus nos proteja"

Confortavelmente e protegida em meu leito, mas nas ruas uma guerra fria, com sangue, fogo e selvageria. Parece-me que estamos tão magoados ou envoltos de uma fúria interna tão agigantada que não nos basta apenas lamentar-se com os amigos nas redes sociais, ou protocolar uma reclamação nos órgãos responsáveis. A realidade agora se encaixa em definições anarquistas.

Em um raio de 50 km, somos alvos das piores mazelas, castigados diariamente com surpreendentes noticias de fins trágicos e mínimas divulgações positivas sobre o bem comum (se é que conseguimos pensar nisso).

A implacável batalha do tráfico, dos raios e o derramamento contínuo de sangue, bens, vidas e trabalhadores vitimizados. Os diários crimes bárbaros, seja com um ataque terrorista próximo a um bar famoso na cidade. Ou talvez, por essa onda de terror que estamos vivendo, de múltiplos boatos e de coração sempre na mão temendo um arrastão.

Engana-se quem pensa que estou citando caso de uma grande metrópole, esse é um simples retrato de uma cidade de médio porte que a cada dia vem se afundando numa triste realidade. Casos constantes e uma realidade exposta até para quem não quer ver. Uma onda de homicídios e brutalidades que sempre somos premiados, comumente estampando noticiários como a cidade mais violenta do país.

Conflitos que extrapolam as dimensões e propõem a nós cidadãos de bem estarmos além do raio A ou B. Dispomos do ódio voraz, da partilha de sentimentos negativos - e tão vingativos - que sequer estamos nos dando conta do encontro do nosso destino, um neo anarquismo descomedido, transformando o futuro primitivo, ao tentar pagar na mesma moeda.

Em que valha a violência e estatísticas absurdamente altas, ainda vemos autoridades jurídicas colocando pessoas contra policiais. Pera lá, já não basta os absurdos que temos que admitir, ainda tem mais esse.  Qualificando aqueles que têm como missão proteger a sociedade como homicidas. Como canta Nando Reis “o mundo está ao contrário e ninguém reparou”.

Estamos nos lamentando cada vez mais, queixando da situação sem ter nenhuma solução cabível em mente. Entristecemos por ser obrigados a abandonar os nossos hábitos culturais, nossos momentos na praça com um sorvete na mão.

Com tudo isso, apenas cresce a nossa sede de vingança, com uma desconstrução moral e física. Um governo que direciona os seus holofotes para a Olímpiadas, eleições e empreendimentos internacionais e esquece: a educação castigada, saúde violentada e a segurança maltratada.

Como se não bastasse à guerra o tráfico, no crime, nas dores, ainda fomos obrigados a travar uma guerra com um mosquito, tão violento e tão nocivo, que mal sabemos como nos proteger.


Lulu Santos diria: "Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade...", Renato Russo bradaria "Quem pensa por si só é livre e ser livre é coisa muito séria", Caetano Veloso, sairia "Sem lenço, sem documento, nada no bolso ou nas mãos, eu quero seguir vivendo..". Estamos numa verdadeira sociedade do medo. Alguns estão a dois passos do paraíso, nós estamos a um passo da hostilidade.

Juliana Soledade

Crônica produzida para o Jornal A Região publicado em 22 de Fevereiro de 2016.

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