Bacharel de Direito, estudante de Teologia, pós graduanda de Direito, escritora, empresária e blogueira. Quase mulher, quase gente, quase anjo, quase santa. Apaixonada por nuvens e mar. Nem muito doce e nem tanto amarga. Feita de carne, osso, pele, cor e poema.

10 de setembro de 2014

Selvagens

Uma pequeno adeus bastou para que os dias posteriores tivessem vida. O abandono da expectativa criada abriu oportunidade para uma despretensiosa viagem, deliciosa e bendita, mas que sempre deixara impressionada.

De início, quase sempre imperceptível as dores são acomodadas lentamente no seu baú de memória. Depois, pequenos momentos de felicidade deslocados, apenas. Era difícil acreditar em alegria após tanta tristeza carregada no peito. A morte de alguns sentimentos direcionados fez renascer as cinzas de momentos alegres e mais, a possibilidade de revivê-los intensamente.

Logo surgem outros. E mais outros, por toda a parte. As vezes parecia que felicidade era uma flor a ser colhida em cada esquina. Ao longo de enormes distâncias, os pés estremeciam a cada novo desembarque, a cada chegada, a cada encontro...

Com imensa lucidez, ela percebe num segundo que é um ser cativo, prisioneira de muitos mares. Conhece seu corpo, e não espera pela vida adiante. Com ele permite que seu corpo dance sobre as chamas. Uma eternidade somente deles. São verdadeiros trovões e terremotos explodindo. E antes o que era apenas esperança, passou a ser certeza.

Naquele dia que se amaram, uma manhã corrida, se entregaram o que haviam guardado pela vida inteira, ela apenas os sonhos e êxtases, ele se entregou por completo. Em algumas horas experimentaram o amor de uma vida.

Abaixaram as espadas e não estabeleceram limites para o amor, Descobriram emoções selvagens, uma paixão desleal foi mais forte do que qualquer humano consciente. Mais forte do que qualquer que o controle mental, mais forte do que qualquer disciplina rígida que tivessem aprendido.

A paixão completamente cega e desenfreada sussurrava no ouvido de ambos, pagaram o preço e generosamente consignaram as perdições, libertinagem e languidez. Eram exploradores de loucas expedições, lançando os seus corpos castigados no outro. Tragaram esse momento efêmero, desfrutando o cansaço com tamanha adversidade das condições que se permitiram. Sedentos de prazer e de loucuras.

E, enquanto admirava o seu homem, encantada, via rodopiar a sua frente o pecado e o infinito, tudo em um. Porque o que o ser humano precisa é do proibido



Joinville/SC, 6 de Setembro de 2014.

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